quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Iria doer muito...




"...You're black eyed soul
You should know
That theres nowhere else to go
My black eyed boy
You will find
Your own space and time.."


black eyed soul.

Abriu o armário com receio. tinha acima de tudo receio do que podia encontrar enquanto estava à procura. tropeçar em fragmentos do passado pelo meio e divagar sobre estes... porra, eram somente uns bilhetes, cartas curtas e de pouco texto, coisas pequenas e frágeis que não arrumara e havia muito que não olhava para elas... eram os restos dela, da presença dela...
podia simplesmente agarrar numa pá e sem olhar atirar tudo para a fornalha...
podia tambem não ser masoquista e ser um gajo esperto o que teria dado para evitar esta ansiedade dolorosa por antecipação, mas isso já era pedir muita coisa.
não lhe bastava a dificuldade de em sitios, sitios por onde passava ser envadido por recordações boas mas tristes, saudade mas dolorosa saudade, agora era perseguido por essas mesmas emoções dentro do seu quarto.
não os leu enquanto os encontrava, juntou os manuscritos num monte e colocou-os sobre a cama.
respirou fundo e sentou-se ao lado do monte de papeis... mais uma vez porra, eram somente papeis! folhas de cadernos, pequenas notas, pequenas coisas que por acaso tinha guardado consigo...
sorriu ao pensar que provavelmente somente ele teria esta dificuldade ao olhar para o seu passado comum, ela de certeza que já tinha soltado esse lastro, e sem cerimónias ou este receio estúpido... mas enfim, era o que era e já não lutava contra si mesmo nestas coisas... aceitava e fosse o que fosse... (ou te casas comigo ou enforco-o... seja como for há festa!)
podia era não ser tão dificil...
olhou para dois postais, colónia... onde jogava o madsen... onde ela fora tropeçando e aniquilando a ideia de irem os dois juntos para outra viagem qualquer... estávam vazios, somente imagens...
foram faceis de por de lado.
preparou-se para a placagem, segurou com força a bola e deixou que o Chabal emocional o atingisse...
está a ser rápido pensou... e não esta a custar assim tanto afinal... meus senhores estamos de parabens! despachou os bilhetes, um natural e esperado aperto (suave aperto o que era bom) na garganta, alguma melancolia, mas nada de um vagalhão, nada que já não fosse o seu natural estado de espirito nos ultimos tempos...
faltava somente um para fechar o estaminé e podermos todos ir para casa com o sentimento de dever comprido.
este era diferente, pressentiu quando o segurou entre os dedos.
dobrado, dentro de um envelope improvisado com o seu nome escrito.
abriu o envelope com cuidado, com vagar. abriu a folha de caderno dobrada e sentiu-se prometeu diante de um fosforo, não era a chama eterna mas era parte desta... e tinha o poder de o esmagar, de o prender e dominar...
sinceramente tentou, tentou ler a carta, sabia que poderia perder o combate e não sobreviver ao confronto mas tentou mesmo assim - cyrano dizia que por ser em vão é que é belo... - mas antes de começar, de linha após linha da letra redonda saber estar a enterrar-se nas rápidas e implacáveis correntes do vazio... do vazio que fica a quem não vai embora.
tentou ler mas uma frase e somente uma o prendeu, uma fora o suficiente e tropeçara nela por acaso, mas era tudo o que havia para ler...

"nunca te separes de mim... iria doer muito"

ignorou o amo-te que se seguia, era somente essa frase, essa simples frase, essa... coisa... cruel.
era cruel.

durante uns largos minutos não sabia como pegar no bicho, leia-se a situação. não sabia o que pensar ou fazer.
havia a vontade de dizer - mas e se fores tu já podes? tá mal...
havia a vontade de perceber que personagem de ficção (ciêntifica) era esta que lhe escrevera uma carta apaixonada, numa folha de um caderno com uma letra redonda sobre uma prenda que lhe fizera pelos anos...
Romeiro romeiro quem és tu que me pedes para não te dar solidão?
tinha sido simpático ao tempo ter corrido veloz sobre o assunto e voltar a si de manhã, teria sido sem dúvida mais dramático para a situação, mas somente se tinham passado uns minutos... e como uns minutos chegavam para tudo mudar de rumo, de vida e disposição.
colocou de parte o envelope, guardou numa caixa o resto das cartas e coloco-a de molho entre outras várias caixas para outro dia. tinha a ideia que não se deitam fora sentimentos - pelo menos faz-se uma fogueira com eles, não só é mais dramático como é sempre hipnotizante o comsumir das coisas pelo fogo, como se renascessemos das cinzas do que queimámos - fenix Oldschool.


sobrava o envelope, imóvel sobre a cama como se nada fosse com ele, e então, num suspiro com força mas determinado, vestiu o casaco e colocou o manuscrito no bolso deste.

estava frio na rua, normal no mês de fevereiro. tranquilo e sem pressas caminhou para o carro.
sentou-se e ligou o rádio, não muito alto, não num posto em particular, somente pela companhia.


ligou o carro. refez mentalmente a lista de tudo o que precisava e se o tinha trazido.
estava tudo pronto, warp speed, weapons at maximum... era destravar o carro e comprir o combinado. o auto-combinado pois fora um pacto solitário.


retirou do bolso o envelope, fitou-o sem o abrir, sabia bem o que lá estava escrito não havia a necessidade de o abrir mais uma vez.

sorriu, sorriu maliciosamente e arrancou veloz.
primeira curva, segunda curva, terceira curva e meteu a quarta mudança, estava livre.
Livre de uma sombra que o seguia à tanto tempo por ter sido parvo e de boa vontade deixar-se levar por coisas... idiotas como pactos feitos num só sentido - como quando o irmão era novo e podia pedir as cartas todas sem que se lhe pudesse pedir reis ao peixinho - desses pactos mirambólicos que soam bem na ocasião desde que não haja chuva, faça sol e estejamos entre o meio dia e as quinze horas e meia do dia 30 de fevereiro.

estava livre, finalmente livre. era uma longa viagem até berlim, muitas horas, muitas horas sozinho para uma vida nova, para qualquer coisa que não isto que o rebentava dia após dia, direta após direta sem dormir, entregue aos seus pensamentos e às repetidas perguntas que fazia sem nunca ter resposta de quem as devia responder.
soltara todas as amarras do passado que agora finalmente era mesmo passado! eram ténues memórias que teria lá para trás na sua mente, depois das memórias da colecção de bollycaos que fez na quarta classe e de quando chegou ao fim do street fighter na mega drive pela primeira vez.

apenas levava consigo desses tempos - tempos idos de apenas meia hora atrás mas adiante, algo para não se esquecer nunca dos erros que cometera para nunca mais os fazer outra vez - ter boa memória não chega quando alcool, vitórias do porto e a claudia black o levavam a perder totalmente o discernimento.
era importante ter essa amarra ao passado, era importante não esquecer nunca o que se sofreu e o que se perdeu para não se ir novamente pelo mesmo caminho, era importante ter trazido o cacto consigo, era um amigo que tinha e lembrava-se sempre que o mudava de vaso... que as coisas que vêmos crescer e cuidamos também picam, afinal já o brel dizia que as rosas têem espinhos...


não se atiram papeis para o chão... vale mais parar o carro e meter-se no lixo!



notas - o cacto é real e chama-se rambo, sebastien chabal é um mágnifico e assustador jogador de rubgy francês, peter madsen é dinamarquês e joga no FC Koln de colónia, a música black eyed boy é do grupo texas, não comento o romeiro romeiro porque é impensável que alguém não o compreenda ou não saiba de onde surge essa referência!, fenix é uma ave mitológica que se acreditava renascer das cinzas e também o primeiro quadro que pintei no remoto ano de 1999, warp speed é uma referência à série e aos filmes Star treek, a citação "weapons at maximum" é uma piada da Série Stargate Sg-1 pois não faz o menor sentido dizer weapons at maximum mas fica fixe dize-lo, street fighter é de longe o melhor jogo de luta de sempre para consolas e a mega drive a melhor consola alguma vez criada, Cyrano de bergerac é um belissimo filme com gerard depardieu - pelo menos a citação a que me refiro pois cyrano existiu e escreveu um excelente livro, o Porto ganha sempre mas dá sempre pica - melhor clube do mundo na ultima decada só em nivel de titulos conquistados, prometeu roubou o fogo aos deuses (que não ficaram propriamente satisfeitos que ele o tivesse Palmado), a claudia black... eh pá... a claudia black, nenhum papel foi atirado para o chão na criação desta história, o papel existe realmente e a frase citada foi retratada fielmente à realidade actual - os factos não são pura coincidência, o jorge (irmão) realmente fazia batota ao peixinho e tinha essa regra estranha dos reis.



(Sebastian Chabal - ao centro na foto)

(Claudia Black)

"ou te casas comigo ou enforco-o... seja como for ha festa" - robin hood men in tights pelo grande prince john


FIM

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Nefertiti...

Hipnotizado. sentia-se hipnotizado, incapaz de desviar a atenção dos olhos azuis que o amarravam.
via-a ondular o corpo ao som da música à sua frente, as mãos dela soltaram o cabelo louro ondulado sobre os ombros bronzeados, partindo de seguida para para o seu pescoço, rodeando-o, puxando-o para si. sorriu, aproximou-se e beijou-o arrebantando-o. Se estava hipnotizado... rendia-se, sem condições "e de boa vontade".
Sentiu a lingua dela dentro da sua boca, suave mas determinada, voraz mas carinhosa... o cheiro doce do cabelo dela em seu redor, a tensão quando o corpo dela se comprimia contra si sem deixar de acompanhar a música...
era demais para conter, agarrou-a firme contra si, apertando-a na ânsia de a consumir e de algum modo aplacar a vontade que não havia forma de controlar.
Afastou-o. fitou-o, mordeu o lábio. tinha-o onde queria.
puxou-o pela mão para a praia, para longe da música de da multidão, queria-o para si e só para si. longe do mundo, longe de onde o pudesse perder.


- estás a pensar no quê agora? - perguntou-lhe enquanto percorria com o indicador o peito dele.
- ah... em ti...
- mentiroso! diz-me no que estás a pensar... e diz-me a verdade... mesmo que estejas a pensar noutra... quero saber o que estás a pensar...
- em ti... a sério...
- és tão mentiroso... não me contas nada... porquê que nunca me falas da tua ex? quero saber e não me contas...
- queres saber o quê da ex? não há nada a dizer...
fitou-o cruzando os braços - estou à espera, conta-me qualquer coisa...
- bem... ela dizia-me que queria que eu a tratasse com uma princesa... estava sempre a dizer-me isso... chegava a ser chata... um dia disse-lhe que não a ia tratar como uma princesa... ia tratá-la como uma rainha! uma rainha egypcia...
- e então?
- então nunca mais me chateou... agarrei nela, mumifiquei-a, enfiei-a numa caixa e enterrei-a no quintal...






Nefertiti (c. 1380 - 1345 a.C.) foi uma rainha da XVIII dinastia do Antigo Egipto, esposa principal do faraó Amen-hotep IV, mais conhecido como Akhenaton

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Sensação

Sensação forte que se mantem como se fossemos nós os dois sozinhos num sitio e o resto do mundo noutro... mas depois e agora, é como se estivesse à espera que voltasses para o nosso sitio e tudo tivesse norte como antes...
estranho sitio esse o nosso
se somos este instante, este momento
sem futuro ou passado
Sensação de esse nós os dois ter sempre sido apenas um com boa vontade
e o resto capricho dos deuses

sábado, 2 de fevereiro de 2008

As Palavras que eu nunca te teria dito...(mas pensei)

Primeiro o que vem primeiro e faxavor de colocar a música (i wanna take) Forever tonight do Peter Cetera a bombar para dar ambiente... ou então também sugiro a pinneaple song dos good size (youtubem a música que não se vão arrepender)


tinha despachado três tubos de mentos de enfiada e como tal sentia-se irritadiço. um ligeiro desconforto no estomago a chamar pela casa de banho mas calhou olhar para o ecra do portatil e reconhecer o nick na janelinha.
sorriu. fazia algum tempo que não falava com ela e uma eternidade que estivera com ela... sorriu maliciosamente com o chegar das recordações do dia que tinham partilhado numa peça com pouco texto - alguns apontamentos guturais - e muito contacto fisico... não fosse a distância que os afastara e talvez não tivesse sido somente uma vez...
comprimentou-a. aguardou e nada. fez um cupccino, saboreou-o e então a resposta chegou - não me apetece falar contigo por isso nem tentes- estranhou e franzio o sobrolho - mas está tudo bem? o que se passa? - sentia que ia mais uma vez ser vitima do bom humor e feitio da moiçola mas estava bem disposto - depois da ultima vez que falamos ainda tens lata? - respondeu-lhe ela como já era de esperar. não era a primeira vez, enviou-lhe um mail como quem diz - minha, psicotropicos fazem mal ao figado... e rapidamente fez zapping pelas recordações que lhe trazia este atrofio, já tinham sido tantos... e era estúpido o que se sentia ao continuadamente manter a vontade de dizer - olá... tudo bem?
saiu de casa. ajeitou o casaco contra o corpo ao sentir o embate de um vento fresco e com personalidade.
reconheceu o andar gingão e apressado que a caracterizava ao longe. duas ex namoradas no mesmo dia era azar a mais...
suspirou e fez uma mezinha para que não o reconhecesse... o que não teve sucesso.
olá! tas bom... faz algum tempo - fez tenção de o comprimentar com dois beijos. fingiu surpresa e retirou os phones dos ouvidos enquanto respondia - tou optimo e tu? faz tempo realmente... tá tudo bem? - não se aproximou para lhe dar dois beijos, cheirava a baunilha como era custume e era enjoativo o cheiro denso e demasiado intenso - perfumes é como maquiagem, um ligeiro toque, ligeira nuance e está perfeito, mais do que isso é exagerado.
- ah... tou optima! tou mesmo bem agora - sem perder o sorriso indagou-se onde teria perguntado se estava melhor por comparação ou se apenas tinha respondido educadamente, mas já que estava lançada... - alias, estou mesmo feliz... estou mesmo bem...
- optimo... fico satisfeito - mentia, era-lhe ou indiferente ou estava a fixar demasiado o olhar nos pelos que ela não aparara no nariz... alias, já tinha reparado neles antes de namorarem mas ela tava com calças brancas e sem soutien logo pareceu-lhe totalmente segundario nessa altura...
- então e tu o que tens feito? tens sentido a minha falta?
mas afinal era para saber o que andava a fazer ou se sentia a falta? sabia que tinha em relação às pessoas uma maneira errada de ver as coisas, ou lhes dava importãncia para não lhes mentir e respeitava-as ao ponto de tomar a iniciativa de dizer as coisas, ou eram insignificantes ao ponto de não se dar ao trabalho de contar o mau momento e ai dizia - está tudo bem - quando não estava, ou entao como era o caso... estava-se totalmente a borrifar e era o mais honesto possivel - sinceramente, sim. sinto a tua falta como é natural depois de ter namorado contigo um ano e mais qualquer coisa, e tenho estado ocupado... mas se ta tudo bem contigo optimo! vá... - tentou recomeçar a marcha sem sucesso
- eu já não te amo... - disse em tom de gravidade segurando-o pelo braço, deitei fora as coisas que me tinhas feito, os quadros, as prendas... foi tudo fora
- bem... isso é contigo... tenho pena, muita pena - estava magoado, era estupido dizer-lhe isto mas estava lançada... e uma vez lançada... - mas não me admira, acho que até tens namorado agora... pelo que me disseram...
- não te vou responder a isso... alias... tu deves tar a divertir-te com as tuas amiguinhas como fazias quando namoravamos...
- ah... tu... eu apanhei-te com outro gajo... andavas a sair com o teu ex nas minhas costas... olha, isto não leva a lado nenhum... não leva a lado nenhum mesmo ok? boa sorte com...
- és mesmo aldrabão! dizes-me que não andas a ter nada com as tuas amigas? eu acho que és bipolar! és louco! e não voltas a falar e a dizer mal dos meus ex namorados...
- eu não disse mal de ninguém... longe de mim estar a ofender quem mata as poucas celulas cerebrais que tem a consumir psicotropicos... hei... afinal tou a dizer mal dele... olha... já te disse que não leva a nada esta conversa...
- ainda me perguntas se tenho namorado... eu não te vou responder a essa pergunta! eu já não te amo já te disse...
sorriu. sorriu bem disposto. complacente um pouco, condescendente e também um pouco para o agoniado - mentos a mais - era ironico e cruel sentir saudades de tão má pessoa... alguem que o abandonara e enganara e pior... esmifrara o que pudera emocionalmente para depois... culpar de todos os defeitos e erros de uma relação onde pelo menos sabia ter sido sempre... ah...quase sempre sincero.


sentia-se estúpido, acabara de lhe passar a má disposição dos mentos e estava a beber café sem ter comido nada. abriu-se a porta do café e reconheceu o esbugalhar de olhos do amigo que este lhe presenteava sempre que o reencontrava
-então? já não te via à mais de... sei lá... meses não?
-é mesmo... como tás?
-um bocado para o chateado... acabei o namoro com a rapariga que te tinha falado e agora ela... eh pa anda-me a chatear a cabeça...
- a serio? então?
- diz que não acredita no que lhe digo
- hoje a ex chamou-me aldrabão
- ah sim? ao menos não diz que és esquizofrénico...
- bem... ela disse que eu era bipolar...




Antes demais um abraço ao DudaMeister - Sr Duarte R. pela inspiração do texto
as gajas que me fornicaram a cabeça e de quem tirei boa parte do texto não agradeço porra...

nota final - "Touch my lips, I'm on fire, You're the only one , I'll ever desire"
da música que mandei os meninos ouvir... até eu chamo ao gajo aldrabão...
Imagens - Crystal Bernard e Peter Cetera at Forever Tonight

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Bring Home the Bacon

Bring home the bacon...
Há quem necessite de constantes elogios para alimentar um ego apoiado em premissas falsas, como se por repetição se tornasse verdade - "disseram que eu era tão inteligente...porque falo de tanta coisa diferente...", sendo depois a tendência de ou por inveja ou simplesmente por pancada na tola a necessidade de superiorização de quem não necessita desses constantes elogios... - boa forma de detectar esses que andam pelo meio de nós é o constante numero de vezes que nos interrogam com o rabo a jeito para as palavras mágicas e desejadas de alimento ao ego.

Podemo-nos sentir na merda, abalados, abatidos, deprimidos e desde que não sejamos sócios do sporting (minimos olimpicos) sabermos por nós mesmo que podemos "Bring home the Bacon"...




desde que acordei determinado em dar o bazarete fui presenteado com 3 propostas de trabalho - a quarta não remunerada e por isso não conta - e tendo em conta as dificuldades de colocação dentro da minha area... parece-me desnecessário ir atender telefones ou ir para o belo do macdonalds - em inglaterra é dada a equivalência a um curso superior trabalhar no mac.
As duas propostas de trabalho fora de portugal não entram na equação pois ao contrário das propostas caseiras não surgem de trabalho já realizado, qualificação profissional e provas dadas no mercado de trabalho, logo, e para mim deixam de ser referência - mas agradáveis mesmo assim.






Mas qual é a relevância de tudo isto?
A dúvida - shud I stay or shud I go now?, if I stay... se ficar com o tempo as coisas encaixam "a-rotinam-se", mudam e transformam-se neste caso de certeza em algo muito melhor - não será propriamente dificil.

Conclusão - O meu cerebro pode talvez estar a tentar matar-me, conspirando com um cacto que me atacou duas vezes sem provocação - e sem se mexer o que impoe respeito, mas de certeza que confunde, baralha e mesmo procurando ter todas as cartas em cima da mesa para tomar uma decisão a melhor solução parece ser recorrer à moeda ao ar....


nota - estupidamente perde-se tempo com pessoas, ideias, emoções, vontades... burras e idiotas, quando afinal o plano perfeito de invasão da Russia não era propriamente inteligente (Napoleão, Hitler e o Rei da Suécia não foram propriamente espertos), o pittbull não era mansinho e não curtia festas de estranhos, a deusa púdica era uma rameira caprichosa e infantil, o bolo com cobertura de chocolate era delicioso mas os ovos... já deu para se perceber a ideia... o que interessa é não esquecer que somos capazes de "bring home the bacon"

o Calvin Rula

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

3 Pensamentos do mestre





ah... 3 pensamentos, para quem não percebeu o primeiro... tendes que pensar um pouco tendes...

Fuga para a vitória...

-É mesmo verdade o que me dizes? - perguntou, receou e agarrou-se à esperança de uma resposta que sabia não ir obter
- é mesmo verdade, era mesmo ela... mas olha, dou-te uns minutos, ficas aqui uns minutos e eu espero por ti lá embaixo, pensa no assunto... dá um jeito na cabeça e falamos quando tiveres melhor o que achas?
Abraçou o amigo. fechou a porta atrás deste e desligou a luz da sala. aproximou-se da aparelhagem e subiu o volume até sentir ser o suficiente para se desligar do espaço que o envolvia...
sentou-se no escuro. estava acima de tudo confuso, muito confuso. Era fruto da necessidade de compreender toda a situação e tal parecia-lhe impossivel. Ligou-lhe, como antes quase certo de que era um erro. não lhe atendeu... isso já não era original.
Tentou chorar, tentou com vontade e nada. Outra vez nada. nem esse alivio conseguia... era esmagadoramente mau para ser tudo dele, tudo para uma pessoa só aguentar sozinho.
Suspirou. passou os dedos entre o cabelo e desenhou um sorriso no rosto, afinal, outra vez, outra noite e outra vez no mesmo sitio, mesmo problema...
de que lhe valia tanta mudança, tanta coisa que agora percebia e compreendia, tanta noite mal passada e tanta luta... sim, porquê tanta luta para agora estar tudo na mesma, ou pior...
Era inegável que era pior, afinal, desta vez sabia que fora mesmo fora do seu controle, e isso era muito muito frustrante. não era suposto já que não dependera de si ser agora mais facil? ser agora mais simples de lidar e compreender a situação? mas não.
Longe disso.
O que fazer agora? o que fazer para mudar a situação? o que fazer para que as coisas estivessem realmente bem, não necessáriamente o bem de uma perfeição sempre ilosória - como as coisas perfeitas o são - mas o bem de as sentirmos bem e termos uns quatro, cinco segundos de paz, de pura paz. Não sentir aquela angustia de que algo não esta no sitio certo, que não há nada a magicar longe de nós em conspiração contra as nossas coisas boas... sim, porque são as nossas coisas boas que estragam primeiro, as pequenas e deliciosas coisas boas...
olhou para o telemóvel e riu-se - "podia ser pior e seres do sporting... continuo aqui embaixo à tua espera mas sem pressas...", era um bom ponto de vista.
Já estava tão cansado de abrir a boca para desabafar tanta coisa triste... mais do mesmo.
Deriva, estava à deriva sem Porto ou rumo para onde ir.
Porquê continuar com histórias e ideias que não o levariam a lado algum? e o que tinha que a algum lado o leva-se? nada... Nada! e porquê? porquê que não havia nada ou em si ou no pouco que tinha que resolvesse as coisas todas de uma vez? porque que não era de si que dependeria o sair do sofá e estar tudo bem? porquê que não parava de uma vez com o zapping entre ideias todas elas tão... más para si? já não o sabia como fazer.
É muita coisa a mais em tão pouco tempo.
Por fim resignou-se. Desistiu finalmente. Não de tirar de si as ideias, as certezas sobre ela que o destroçavam, mas sim de lutar, de querer, de procurar alguma coisa ou algo que tornar-se as coisas diferentes, melhores ou menos más, de encontrar os quatro a cinco segundos de paz, desistiu e instantaneamente à sua volta tudo acalmou.
Deixou no instante de sentir a cabeça pesada, de sentir o aperto que tornava dificil até respirar, não estavam bem as coisas, mas não havia nada mais a fazer.
levantou-se. acendeu a luz e arranjou-se diante do espelho sem se fitar nos olhos por desconforto - ou vergonha... qualquer uma delas serve.
abriu a porta de casa e aguardou pelo elevador. ia manter tudo para si, em silêncio. a quem dizer o que decidira? a quem dizer - desisti de mim? como fazer entender que era a melhor e única solução viável?
Vamos manter em segredo o fogo que nos consome, manter em silêncio como todas aquelas coisas de nos deviam ter sido ditas e não o foram - ou por capricho ou... bem, apenas por capricho diga-se que eram bem simples e nada dificéis de dizer, isto entre pessoas de bem, o que não era propriamente o caso dela...
Não tinha as respostas que precisava e devia ter, não tinha as ideias no sitio onde as devia encontrar, não tinha planos ou o que quer que fosse em perspectiva para esboçar um sorriso, tinha um nada, um nada mau e bem confuso.
Em conclusão pensou em que sentido fazia arrastar a sua carcaça vazia em esforço? era isso mesmo que ia resolver, era mesmo esse arrastar que ia por fim, era um fim definitivo e final, finalmente o fim.
E isso... era a única, a única coisa que ainda dependia apenas de si, e ia agarra-la com as duas mãos com força, com vontade mesmo. Ia ser como não era à muito tempo livre, livre e em paz, sem todas as coisas que o deformavam agora, que o destroçavam cada dia um pouco mais, respirou fundo e acenou ao paciente amigo ainda à espera, ia ser em segredo, mas ia ser.
Em breve, muito em breve, não mais que uma semana, para ter tempo de mais um ravioli, mais uma ida ao cinema ou mais uma ida ao miradouro ao fim do dia e uma outra ou coisa mais e pronto, tava despachado e pronto para partir. Era bom esta certeza agora, reconfortante... era uma fuga, talvez lhe chamem covarde por desconhecimento... mas era uma fuga para a os quatro a cinco segundos de Paz... uma Fuga para a vitória.