segunda-feira, 17 de março de 2008

Meravigliosa Creatura

Quarenta e oito horas depois regressou ao local do crime. Entrou na cozinha onde tudo começara e deslizou os dedos sobre a bancada de pedra. sorriu no pensamento -aglomerado, não pedra pura ou um bloco como na mesa da antiga casa da sua avo.
ficou nessa paragem, nesse pensamento. ao centro da cozinha da avó uma mesa enorme, um bloco de marmore ja gasto com o uso e o tempo de quem muito nela trabalhou. tinha saudades dessa casa, dessa cozinha. de acordar para um café com leite que bebia ainda em piloto automático antes de encarar o frio da rua sempre a subir até à graça.
encostou-se na bancada e olhou em seu redor. O passaro saltitava curioso fitando-o, o sol entrava pela janela de batente e basculante e visualizou-a diante de si, no espaço vazio, recordou-a de casaco preto comprido, mãos nos bolsos e olhar de desafio, cabelo solto sobre os ombros, esvoaçante, adorava o cabelo dela.
Era angustiante a sua ausência, o recordar de algo tão bom e mágnifico...principalmente porque era uma emoção normal no afastamento, na ruptura, não quando tudo estava bem.
Estava-lhe tão entranhado o ser dela que rejeitava a separação fosse por que tempo fosse.
Controlava-se em não sufocar, em não se angustiar nessa distância, pois em breve, pouco mais de uma hora estariam de novo juntos, e seria presenteado com aquele sorriso triunfante que o domava e enfeitiçava.
como no dia do crime, da cozinha saiu para a sala, comprimentou o cacto que se concentrava na sua fotosintese diaria e sentou-se no sofá.
mais uma vez foi invadido de recordações.
o Calor do corpo dela na sua mão entre as roupas dela, a sofreguidão com que as tirava, as afastava para... sentiu-se a ficar com a taquicárdia que ela lhe dava e afastou a imagem da sua mente, levantou-se e procurou o telémovel.
Encontrou-o no quarto, o terceiro mas não ultimo cenário do crime, involuntáriamente repetia a sequência, cozinha-sala-quarto.
Tinha duas mensagens. Sorriu ao ler a primeira - "não percebi nada da tua mensagem, mandas-me citações de séries que não vi e tás à espera que perceba...se tas com saudades minhas diz logo..."- e riu-se da segunda - "AH! já percebi, és um tarado..."
Estranhou o silêncio na casa, não pelas cadelas que como sempre se comportavam como "gremlins at a pool party", mas pela ausência de música.
Era uma escolha fácil tendo em consideraçãos os seus ultimos pensamentos, Bryan Adams - thought I'd Died and gone to heaven.
Saiu do quarto e parou diante da porta da casa de banho, olhou para a banheira, cenário final onde se desfizeram das provas num longo banho de imersão.
Quando se termina uma relação da-se ou uma angustia porque se vai romper um ritmo, uma ligação até então segura que em principio nos sabia bem, nos aconchegava. por outro lado também se pode sentir o alivio de finalmente não perdermos horas com dialogos idiotas sobre séries lamechas de médicos ou a amiga disse que a outra disse que a outra fez qualquer coisa sobre a amiga que disse que a outra fez aquela coisa que a outra contou.
Em qualquer dos casos com o passar dos dias, dos meses, é chegado um dia em que surgirá o escolhido que irá trazer o equilibrio à força... chegará o dia em que independentemente de ser bom ou mau o terminar da relação sentimos o peso do vazio entre esse dia e o ultimo em que tudo se perdeu, sentimos o peso do tempo, o peso de haver todo um mundo que podia ter sido em comum e não foi, o peso de a gaja ter apanhado uma dst com um badalhoco qualquer e acharmos bem feita ou o ciume de a ver-mos em pequenas coisas que já não partilha connosco ou nós com ela. Acima de tudo há ausência da pessoa e era isso que sentia nesse instante, ausência com o peso de uma longa viagem, e isso preocupava-o e muito.
Afinal se lhe custava tanto assim em tão pouco tempo como seria se terminassem um dia?
caraças, tinha mesmo que mudar de pustura, esta pessimista era uma camisa que começava a picar-lhe no pescoço. Olhou para o rambo "o Cacto", imaginou-o de oculos e camisa florida sentado ao curtir o sol... e era esse o espirito, o rambo tinha razão! chill out and relax...CHILLAX!
Ligou a playstation, entrou na master league, preparou o timão que montara com o porto e deu um tratamento à-lá-marlon-brando no ultimo tango em paris a todos os que lhe apareceram pela frente " e sem manteiga!".


Chegou a casa dele e estranhou ser o irmão a abrir a porta. preparou-se para refilar mas notou a presença dos phones brancos que o ajudavam a entrar na "zona" quando jogava. não a recebeu porque não a ouviu.
Tirou o casaco, lentamente sem fazer barulho aproximou-se e sentou-se sobre ele sem aviso, frente a frente na cadeira.
ouviu o comando despenhar-se no chão enquando ele a puxava e envadia por onde quer que a sua roupa o permitisse, antes de poder falar já este a procurava em beijos atrapalhando-lhe as palavras
- Calma! não me... xiça, deixa-me falar, calma, não me vais receber à porta e agora tás a fingirque gostas muito de mim...
beijou-o, avisou-o que a porta do quarto estava aberta quando o sentiu a tentar desapertar o seu cinto. puxou-o pelo cabelo para trás, sorriu.
- calma, temos tempo e eu não vou a lado nenhum... e vais-me explicar primeiro as tuas mensagens...
lenvantou-se e tirou do casaco o telemovel.
virou-se mas sem que pudesse estrabuchar foi agarrada e levada pelo ar para a cama.
-o que escrevi na mensagem pode-se traduzir por um " Tu Gália, Eu César", agora cala-te e deixa-me fazer o meu trabalho.


Esforçou-se contra a sua vontade para não cair no cliché feminino e deu-lhe uns trinta minutos de descanso antes de lhe dizer que queria falar.
- já podes falar a sério comigo agora? - deitou-se em cima de dele.
- sobre o quê?
- sobre não conseguires falar sobre certos assuntos sem dizeres uma coisa idiota ou a gozar... como a da rainha Egypcia...
- ao pé de ti o cerebro para... eu esforço-me mas ele vai abaixo...
- então não és capaz de ter uma conversa a sério comigo é isso? mais vale desistir de ti? - tentou deslizar o corpo para o lado sem que ele a deixasse
- o que me queres perguntar afinal?
- oh, sei lá... queria que falasses comigo de coisas tuas... fantasias tuas sei lá.
- fantasias?
- sim... fantasias tuas que não envolvam vestires-te de coelho ou a Bonnie tyler...
- bem... tenho uma... acho que nunca a contei a ninguém...
- e vais-me contar!
- ok... estou numa sala de aulas com os meus colegas, e tenho uma minigun, começo a disparar... mas há um gordo que consegue fugir e vou atrás dele com a minigun...
- eu tava a falar de fantasias... eróticas!
- mas eles tão nús na fantasia!!!!!!

domingo, 2 de março de 2008

A dona do meu 18...

atraves do vidro, meio perdida no reflexo do sol mas suficientemente presente para lhe captar o olhar, a atenção, ao ponto de apenas por acaso não ter tropeçado nos degraus.
confirmou o numero da porta e entrou.
sentou-se o mais discreto possivel, primeira aula, turma nova, queria primeiro estudar o espaço, as facções sociais em confronto, quem era quem antes de tomar posição ou opinar sobre o que quer que fosse.
lembrou-se do Boss - you ain't a beauty but hey... you're alright, num pensamento sobre a rapariga que se sentou ao seu lado. sorriu, afastou da mesa desta os seus pertences libertando-lhe o espaço para que se sentasse ao seu lado.
subitamente, na penumbra da sala durante a projecção da construção de um museu em berlim, demasiado conceptual e teórico na sua opinião, quando vagueava o olhar pela sala em seu redor fixou-se num 18.
gostava do numero sem saber bem o porque de gostar desse numero.
era aniversário da avó a 18, assim como o da sua primeira namorada, mas porquê gostar desse numero? não tinha uma certeza ideia que o justificasse.
fixara a atenção apenas por segundos, instantes, e notou que dentro do casaco, acima deste lhe devolviam a atenção.
era a mesma rapariga que por pouco antes quase patinara antes de entrar na sala -teria sido épica a entrada
Morena de olhos azuis, cabelo apanhado, encontrou-o e fixou-o, sorria com o rosto todo, sem ser uma pornografia dentaria, um sorriso simples mas sincero.
atrapalhou-se ou atrofiou-se... ficou encavacado e desviou o olhar.
porcaria do 18, agora a rapariga iria ficar com a ideia que estava a procurar nela algo mais que um numero... bela imagem que estava a dar...
tentou controlar sem sucesso a curiosidade e olhou novamente para ela...
viu-a esquiva mas o suficiente para ela perceber que olhava de novo...
"sinceramente... parece que tas de novo na primária..."
lembrou-se da àgata, a primeira rapariga por quem se apaixonou no primeiro dia de aulas da sua vida... a primeira rapariga real por quem se apaixonou, afinal a namorada do He-man não conta nesta equação.
a àgata também tinha olhos azuis...
concentrou-se no museu em berlim, pouco práctico, raio de museu mais preocupado em dizer - olhem para mim sou uma cagadela de um arquitecto que não percebeu que museu é para servir a sua função - ser um museu- e não salas e salas e espaços ninjas para sair numa revista escrita por outros arquitectos ninjas a justificarem as cenas ninja que fazem ...


Como se tudo que o envolvia fosse uma visão, sentado ao sol de fim de tarde num dia porreiro de primavera, daqueles em que o vento não chateia mas refresca, não está sol demais mas aquece em lume brando, como uma namorada sem cordas vocais... era perfeito.
aumentou o volume da música para ouvir melhor o trabalho do piano de fundo sob a voz do Boss, thunder road...
A dona do 18 saiu da sala, via-a pela primeira vez de corpo inteiro, como se esta flutuasse no meio da multidão, viu-a soltar o cabelo sobre os ombros "let the wind blow back your
hair", fechar o casaco e ajeita-lo sobre o corpo.
antes que se virasse na sua direcção desviou dela o olhar, fixando-o em dois pombos que não disfarçavam o consumo exagerado de ecstazy ao som de trance psicadélico no seu andar pastilhado.
Passou diante dele, passo calmo sem pressas assustando os pombos. parou, virou-se na sua direcção e avançou.
sentou-se diante dele, na pedra ao sol.
-olá... - disse aguardando que ele tirasse os phones dos ouvidos - és novo na turma?
o coração batia veloz dentro do peito, estranhou a presença mesmo que intimamente a desejasse, mesmo que fosse bom demais para ser verdade, e caramba... acabara de conhecer visualmente a rapariga, não era motivo para estar assim surpreso, ancioso e... desejoso, desejoso como quem hà muito deseja uma coisa boa, como quem espera que lhe digam que vai ficar tudo bem " Don't turn me home again I just can't face myself alone again", e sentir esse desejo por alguém assim recente no seu mundo...
não percebia, não sabia porquê...
como se esperasse por um sonho neste mundo onde somos sombras e trevas segundo o Boss, mas somos desejo de um escape, que mesmo que não ilumine... oriente e guie... "Waste your summer prayin' in vain for a savior to ride from these streets"
-olá... sim sou... mudei de turma ontem...
- Joana... e tu?
apresentou-se, sorriu-lhe. sentiu vontade estremecendo com a noção do insólito e precipitado que o invadia... a vontade de a beijar, de a puxar para si e saborea-la, beija-la havidamente, percorrer e comprimir o corpo dela contra o seu... quiça possui-la ali mesmo...
acima de tudo te-la nos braços, como se isso tornar-se real qualquer coisa estúpida que estava a sentir por ela... pela joana segundo o que ela dizia - não lhe pediu BI ou documento comprovativo.
ela questionou-o sobre banalidades, estudando-o, quando as respostas seguiam as perguntas com fluidez atacou o que realmente lhe queria perguntar:
- porquê que sorrias para mim na sala? reparei que estavas a olhar para mim e estavas a sorrir... mas não era... sei lá... estavas a sorrir de uma maneira... querida... não sei...
- querida? maneira querida? eu? sorrir?
caraças, tinha sorrido? tinha tido alguma expressão estupida quando reparou nela na sala?
- não sei... tavas com uma expressão... oh... esquece...
pensou em responder - gazes filha, tava com gazes... - mas sentiu ser demasiado estupida a real explicação... o 18...
- não me lembro de tar a sorrir... mas sim, olhei para ti...
- e porquê?
- porquê que olhava para ti? pelo teu casaco... via-se que era malha da boa...
chamou-o estupido,sorriu... e como sorria... quis fugir dali, enfiar-se num sitio qualquer abraçando-se em posição fetal de modo a sentir-se menos... envergonhado, menos numa situação em que voltava a estragar tudo "Don't run back inside, darlin' you know just what I'm here for So you're scared and you're thinkin' that maybe we ain't that
young anymore", estava farto de fazer asneiras em pequenas coisas... principalmente de estar dominado com a presença dela...
sentiu os dedos dela na sua mão, levantou-se e puxou-o atras de si
- anda, vamos beber um café... eu deixo que tu pagues o meu...
generosa... ao menos era sincera... seguiu-a, com a proximidade cheirou-a, absorveu-a e como lhe cheirava bem... estranhamente não se lembrou de tirar da dela a sua mão e esta... não o afastou até que se tornou demasiado estranho estarem de mão dada " Climb in back heaven's waitin' down on the tracks, Oh, oh come take my hand"
sentaram-se, conversaram e esqueceram-se (ou não) de voltarem para a aula, como se retomassem uma conversa antiga e lhes fosse natural estarem um com o outro.
fazia-a rir, quer pelo prazer que tinha em ve-la esbugalhar os olhos e mais uma vez... presentea-lo com o sorriso.
subitamente, fitou-o e perguntou:
- conta-me algo... estranho de ti
- como?
- algo que não faça sentido de ti que tenhas...
- tu primeiro... para ver se percebo que raio de pergunta é essa...
- bem... - corou, rodeando o sorriso com um suave avermelhado muito muito, incrivelmente e magestosamente sensual avermelhar - tenho uma fixação com o numero 18... não sei porquê...



"It's a town full of losers, And I'm pullin' outta here to win"









Todas as frases que cito são parte da música(magnifica) Thunder Road de Bruce Springsteen a quem me refiro como Boss (piada ribeirinha que hà muito partilho com sra dona Ana Vieira... El Patron), e espero que quando ela subitamente o fixa para o dialogo final, estejam a ouvir a thunder road... minuto 4...
quase tão sublime como em pleno estádio de Alvalade após o golo do jankauskas a claque do benfica cantar (outra vez... outra vez... foi a festa co ... outra vez...)
ou para ser justo... a claque do porto a cantar (Campeões... Campeões...) mas isso nós cantamos sempre em todo lado e em todos os anos... já perde a piada...



a Joana da História é real e é dona de um casaco com um 18...
(e tem um sorriso... eh pa... )

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Living on a Prayer




Queria escrever algo simpático em homenagem ao João e à Andreia que fizeram nove anos de namoro mas fico preso ao imaginar o que seriam nove anos de namoro com a ex, que nem um mês conseguiu aguentar sem iniciar as suas patifarias... provavelmente nesta altura já me teria gamado um rim... (de mal o menos, ainda teria outro e eu gosto mesmo é do pancreas...)
Também poderia fazer uma piada fácil com o facto de o João actualmente ter muito menos cabelo, sofrer de taquicardia compulsiva e conseguir que vá de gatas ao frigorifico buscar-me uma cerveja quando ameaço contar uma tanga qualquer à namorada...
Nove anos é muito tempo, ou como o FC Porto chama - sete campeonatos, uma taça uefa, uma liga dos campeões, um campeonato do mundo de clubes...etc... ou no caso do benfica e do sporting - Um torneio do Guadiana...

Imaginar nove anos com alguém... Imaginar não é o dificil quando se escolhe bem o alguém com quem se imagina - principalmente quando esse alguém não é ruim ao ponto de não recearmos que nos game um rim, já que tudo o que nos fez, apesar de criativo admito foi mesmo só naquela de não estar a dar nada melhor na televisão ou Born evil always evil... ou para finalizar a minha favorita - I'm So booooooooooored





Nove anos sem sentido de humor... sem segurança de não nos mentirem por maldade - ou apenas porque sabem que confiamos e podem, sem termos alguem que não nos julgue ou ataque e culpabilize de tudo incluindo o aquecimento global e o conflito do médio oriente.





Apocalipse Now parece uma comédia romântica...


Nove anos é magnifico, admito que invejo, afinal, todos temos sonhos... fantasias... eu tenho os meus sonhos e fantasias... três deles são quase legais - não fossem umas estúpidas leis de protecção aos animais...

resumindo e finalizando:

Não é para onde se vai ou como se vai, e com quem e com que vontade se faz a viagem.

"...She says: We've got to hold on to what we've got
'Cause it doesn't make a difference if we make it or not.
We've got each other and that's a lot for love -
We'll give it a shot.

We're half way there - Livin' on a prayer

Take my hand and we'll make it
I swear - livin' on a prayer..."




Ao João e à Andreia... Os meus sentidos e sinceros Parabêns

Nota - não é facil encontrar quem tenha coragem de fazer uma viagem de nove anos ou mesmo de um ano e meio... ok, trinta minutos já era o suficiente, mas é bom sonhar e procurar alguém que se disponha, que seja sincera e diga - Até os comemos carago!, nos agarre na mão sem recearmos acordar com um orgão a menos.
É bom imaginar nove anos com alguém assim - tipo Claudia black, Jennifer Esposito, Matt Damon...



Já que estou a sonhar... eu queria um ponei.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Iria doer muito...




"...You're black eyed soul
You should know
That theres nowhere else to go
My black eyed boy
You will find
Your own space and time.."


black eyed soul.

Abriu o armário com receio. tinha acima de tudo receio do que podia encontrar enquanto estava à procura. tropeçar em fragmentos do passado pelo meio e divagar sobre estes... porra, eram somente uns bilhetes, cartas curtas e de pouco texto, coisas pequenas e frágeis que não arrumara e havia muito que não olhava para elas... eram os restos dela, da presença dela...
podia simplesmente agarrar numa pá e sem olhar atirar tudo para a fornalha...
podia tambem não ser masoquista e ser um gajo esperto o que teria dado para evitar esta ansiedade dolorosa por antecipação, mas isso já era pedir muita coisa.
não lhe bastava a dificuldade de em sitios, sitios por onde passava ser envadido por recordações boas mas tristes, saudade mas dolorosa saudade, agora era perseguido por essas mesmas emoções dentro do seu quarto.
não os leu enquanto os encontrava, juntou os manuscritos num monte e colocou-os sobre a cama.
respirou fundo e sentou-se ao lado do monte de papeis... mais uma vez porra, eram somente papeis! folhas de cadernos, pequenas notas, pequenas coisas que por acaso tinha guardado consigo...
sorriu ao pensar que provavelmente somente ele teria esta dificuldade ao olhar para o seu passado comum, ela de certeza que já tinha soltado esse lastro, e sem cerimónias ou este receio estúpido... mas enfim, era o que era e já não lutava contra si mesmo nestas coisas... aceitava e fosse o que fosse... (ou te casas comigo ou enforco-o... seja como for há festa!)
podia era não ser tão dificil...
olhou para dois postais, colónia... onde jogava o madsen... onde ela fora tropeçando e aniquilando a ideia de irem os dois juntos para outra viagem qualquer... estávam vazios, somente imagens...
foram faceis de por de lado.
preparou-se para a placagem, segurou com força a bola e deixou que o Chabal emocional o atingisse...
está a ser rápido pensou... e não esta a custar assim tanto afinal... meus senhores estamos de parabens! despachou os bilhetes, um natural e esperado aperto (suave aperto o que era bom) na garganta, alguma melancolia, mas nada de um vagalhão, nada que já não fosse o seu natural estado de espirito nos ultimos tempos...
faltava somente um para fechar o estaminé e podermos todos ir para casa com o sentimento de dever comprido.
este era diferente, pressentiu quando o segurou entre os dedos.
dobrado, dentro de um envelope improvisado com o seu nome escrito.
abriu o envelope com cuidado, com vagar. abriu a folha de caderno dobrada e sentiu-se prometeu diante de um fosforo, não era a chama eterna mas era parte desta... e tinha o poder de o esmagar, de o prender e dominar...
sinceramente tentou, tentou ler a carta, sabia que poderia perder o combate e não sobreviver ao confronto mas tentou mesmo assim - cyrano dizia que por ser em vão é que é belo... - mas antes de começar, de linha após linha da letra redonda saber estar a enterrar-se nas rápidas e implacáveis correntes do vazio... do vazio que fica a quem não vai embora.
tentou ler mas uma frase e somente uma o prendeu, uma fora o suficiente e tropeçara nela por acaso, mas era tudo o que havia para ler...

"nunca te separes de mim... iria doer muito"

ignorou o amo-te que se seguia, era somente essa frase, essa simples frase, essa... coisa... cruel.
era cruel.

durante uns largos minutos não sabia como pegar no bicho, leia-se a situação. não sabia o que pensar ou fazer.
havia a vontade de dizer - mas e se fores tu já podes? tá mal...
havia a vontade de perceber que personagem de ficção (ciêntifica) era esta que lhe escrevera uma carta apaixonada, numa folha de um caderno com uma letra redonda sobre uma prenda que lhe fizera pelos anos...
Romeiro romeiro quem és tu que me pedes para não te dar solidão?
tinha sido simpático ao tempo ter corrido veloz sobre o assunto e voltar a si de manhã, teria sido sem dúvida mais dramático para a situação, mas somente se tinham passado uns minutos... e como uns minutos chegavam para tudo mudar de rumo, de vida e disposição.
colocou de parte o envelope, guardou numa caixa o resto das cartas e coloco-a de molho entre outras várias caixas para outro dia. tinha a ideia que não se deitam fora sentimentos - pelo menos faz-se uma fogueira com eles, não só é mais dramático como é sempre hipnotizante o comsumir das coisas pelo fogo, como se renascessemos das cinzas do que queimámos - fenix Oldschool.


sobrava o envelope, imóvel sobre a cama como se nada fosse com ele, e então, num suspiro com força mas determinado, vestiu o casaco e colocou o manuscrito no bolso deste.

estava frio na rua, normal no mês de fevereiro. tranquilo e sem pressas caminhou para o carro.
sentou-se e ligou o rádio, não muito alto, não num posto em particular, somente pela companhia.


ligou o carro. refez mentalmente a lista de tudo o que precisava e se o tinha trazido.
estava tudo pronto, warp speed, weapons at maximum... era destravar o carro e comprir o combinado. o auto-combinado pois fora um pacto solitário.


retirou do bolso o envelope, fitou-o sem o abrir, sabia bem o que lá estava escrito não havia a necessidade de o abrir mais uma vez.

sorriu, sorriu maliciosamente e arrancou veloz.
primeira curva, segunda curva, terceira curva e meteu a quarta mudança, estava livre.
Livre de uma sombra que o seguia à tanto tempo por ter sido parvo e de boa vontade deixar-se levar por coisas... idiotas como pactos feitos num só sentido - como quando o irmão era novo e podia pedir as cartas todas sem que se lhe pudesse pedir reis ao peixinho - desses pactos mirambólicos que soam bem na ocasião desde que não haja chuva, faça sol e estejamos entre o meio dia e as quinze horas e meia do dia 30 de fevereiro.

estava livre, finalmente livre. era uma longa viagem até berlim, muitas horas, muitas horas sozinho para uma vida nova, para qualquer coisa que não isto que o rebentava dia após dia, direta após direta sem dormir, entregue aos seus pensamentos e às repetidas perguntas que fazia sem nunca ter resposta de quem as devia responder.
soltara todas as amarras do passado que agora finalmente era mesmo passado! eram ténues memórias que teria lá para trás na sua mente, depois das memórias da colecção de bollycaos que fez na quarta classe e de quando chegou ao fim do street fighter na mega drive pela primeira vez.

apenas levava consigo desses tempos - tempos idos de apenas meia hora atrás mas adiante, algo para não se esquecer nunca dos erros que cometera para nunca mais os fazer outra vez - ter boa memória não chega quando alcool, vitórias do porto e a claudia black o levavam a perder totalmente o discernimento.
era importante ter essa amarra ao passado, era importante não esquecer nunca o que se sofreu e o que se perdeu para não se ir novamente pelo mesmo caminho, era importante ter trazido o cacto consigo, era um amigo que tinha e lembrava-se sempre que o mudava de vaso... que as coisas que vêmos crescer e cuidamos também picam, afinal já o brel dizia que as rosas têem espinhos...


não se atiram papeis para o chão... vale mais parar o carro e meter-se no lixo!



notas - o cacto é real e chama-se rambo, sebastien chabal é um mágnifico e assustador jogador de rubgy francês, peter madsen é dinamarquês e joga no FC Koln de colónia, a música black eyed boy é do grupo texas, não comento o romeiro romeiro porque é impensável que alguém não o compreenda ou não saiba de onde surge essa referência!, fenix é uma ave mitológica que se acreditava renascer das cinzas e também o primeiro quadro que pintei no remoto ano de 1999, warp speed é uma referência à série e aos filmes Star treek, a citação "weapons at maximum" é uma piada da Série Stargate Sg-1 pois não faz o menor sentido dizer weapons at maximum mas fica fixe dize-lo, street fighter é de longe o melhor jogo de luta de sempre para consolas e a mega drive a melhor consola alguma vez criada, Cyrano de bergerac é um belissimo filme com gerard depardieu - pelo menos a citação a que me refiro pois cyrano existiu e escreveu um excelente livro, o Porto ganha sempre mas dá sempre pica - melhor clube do mundo na ultima decada só em nivel de titulos conquistados, prometeu roubou o fogo aos deuses (que não ficaram propriamente satisfeitos que ele o tivesse Palmado), a claudia black... eh pá... a claudia black, nenhum papel foi atirado para o chão na criação desta história, o papel existe realmente e a frase citada foi retratada fielmente à realidade actual - os factos não são pura coincidência, o jorge (irmão) realmente fazia batota ao peixinho e tinha essa regra estranha dos reis.



(Sebastian Chabal - ao centro na foto)

(Claudia Black)

"ou te casas comigo ou enforco-o... seja como for ha festa" - robin hood men in tights pelo grande prince john


FIM

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Nefertiti...

Hipnotizado. sentia-se hipnotizado, incapaz de desviar a atenção dos olhos azuis que o amarravam.
via-a ondular o corpo ao som da música à sua frente, as mãos dela soltaram o cabelo louro ondulado sobre os ombros bronzeados, partindo de seguida para para o seu pescoço, rodeando-o, puxando-o para si. sorriu, aproximou-se e beijou-o arrebantando-o. Se estava hipnotizado... rendia-se, sem condições "e de boa vontade".
Sentiu a lingua dela dentro da sua boca, suave mas determinada, voraz mas carinhosa... o cheiro doce do cabelo dela em seu redor, a tensão quando o corpo dela se comprimia contra si sem deixar de acompanhar a música...
era demais para conter, agarrou-a firme contra si, apertando-a na ânsia de a consumir e de algum modo aplacar a vontade que não havia forma de controlar.
Afastou-o. fitou-o, mordeu o lábio. tinha-o onde queria.
puxou-o pela mão para a praia, para longe da música de da multidão, queria-o para si e só para si. longe do mundo, longe de onde o pudesse perder.


- estás a pensar no quê agora? - perguntou-lhe enquanto percorria com o indicador o peito dele.
- ah... em ti...
- mentiroso! diz-me no que estás a pensar... e diz-me a verdade... mesmo que estejas a pensar noutra... quero saber o que estás a pensar...
- em ti... a sério...
- és tão mentiroso... não me contas nada... porquê que nunca me falas da tua ex? quero saber e não me contas...
- queres saber o quê da ex? não há nada a dizer...
fitou-o cruzando os braços - estou à espera, conta-me qualquer coisa...
- bem... ela dizia-me que queria que eu a tratasse com uma princesa... estava sempre a dizer-me isso... chegava a ser chata... um dia disse-lhe que não a ia tratar como uma princesa... ia tratá-la como uma rainha! uma rainha egypcia...
- e então?
- então nunca mais me chateou... agarrei nela, mumifiquei-a, enfiei-a numa caixa e enterrei-a no quintal...






Nefertiti (c. 1380 - 1345 a.C.) foi uma rainha da XVIII dinastia do Antigo Egipto, esposa principal do faraó Amen-hotep IV, mais conhecido como Akhenaton

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Sensação

Sensação forte que se mantem como se fossemos nós os dois sozinhos num sitio e o resto do mundo noutro... mas depois e agora, é como se estivesse à espera que voltasses para o nosso sitio e tudo tivesse norte como antes...
estranho sitio esse o nosso
se somos este instante, este momento
sem futuro ou passado
Sensação de esse nós os dois ter sempre sido apenas um com boa vontade
e o resto capricho dos deuses

sábado, 2 de fevereiro de 2008

As Palavras que eu nunca te teria dito...(mas pensei)

Primeiro o que vem primeiro e faxavor de colocar a música (i wanna take) Forever tonight do Peter Cetera a bombar para dar ambiente... ou então também sugiro a pinneaple song dos good size (youtubem a música que não se vão arrepender)


tinha despachado três tubos de mentos de enfiada e como tal sentia-se irritadiço. um ligeiro desconforto no estomago a chamar pela casa de banho mas calhou olhar para o ecra do portatil e reconhecer o nick na janelinha.
sorriu. fazia algum tempo que não falava com ela e uma eternidade que estivera com ela... sorriu maliciosamente com o chegar das recordações do dia que tinham partilhado numa peça com pouco texto - alguns apontamentos guturais - e muito contacto fisico... não fosse a distância que os afastara e talvez não tivesse sido somente uma vez...
comprimentou-a. aguardou e nada. fez um cupccino, saboreou-o e então a resposta chegou - não me apetece falar contigo por isso nem tentes- estranhou e franzio o sobrolho - mas está tudo bem? o que se passa? - sentia que ia mais uma vez ser vitima do bom humor e feitio da moiçola mas estava bem disposto - depois da ultima vez que falamos ainda tens lata? - respondeu-lhe ela como já era de esperar. não era a primeira vez, enviou-lhe um mail como quem diz - minha, psicotropicos fazem mal ao figado... e rapidamente fez zapping pelas recordações que lhe trazia este atrofio, já tinham sido tantos... e era estúpido o que se sentia ao continuadamente manter a vontade de dizer - olá... tudo bem?
saiu de casa. ajeitou o casaco contra o corpo ao sentir o embate de um vento fresco e com personalidade.
reconheceu o andar gingão e apressado que a caracterizava ao longe. duas ex namoradas no mesmo dia era azar a mais...
suspirou e fez uma mezinha para que não o reconhecesse... o que não teve sucesso.
olá! tas bom... faz algum tempo - fez tenção de o comprimentar com dois beijos. fingiu surpresa e retirou os phones dos ouvidos enquanto respondia - tou optimo e tu? faz tempo realmente... tá tudo bem? - não se aproximou para lhe dar dois beijos, cheirava a baunilha como era custume e era enjoativo o cheiro denso e demasiado intenso - perfumes é como maquiagem, um ligeiro toque, ligeira nuance e está perfeito, mais do que isso é exagerado.
- ah... tou optima! tou mesmo bem agora - sem perder o sorriso indagou-se onde teria perguntado se estava melhor por comparação ou se apenas tinha respondido educadamente, mas já que estava lançada... - alias, estou mesmo feliz... estou mesmo bem...
- optimo... fico satisfeito - mentia, era-lhe ou indiferente ou estava a fixar demasiado o olhar nos pelos que ela não aparara no nariz... alias, já tinha reparado neles antes de namorarem mas ela tava com calças brancas e sem soutien logo pareceu-lhe totalmente segundario nessa altura...
- então e tu o que tens feito? tens sentido a minha falta?
mas afinal era para saber o que andava a fazer ou se sentia a falta? sabia que tinha em relação às pessoas uma maneira errada de ver as coisas, ou lhes dava importãncia para não lhes mentir e respeitava-as ao ponto de tomar a iniciativa de dizer as coisas, ou eram insignificantes ao ponto de não se dar ao trabalho de contar o mau momento e ai dizia - está tudo bem - quando não estava, ou entao como era o caso... estava-se totalmente a borrifar e era o mais honesto possivel - sinceramente, sim. sinto a tua falta como é natural depois de ter namorado contigo um ano e mais qualquer coisa, e tenho estado ocupado... mas se ta tudo bem contigo optimo! vá... - tentou recomeçar a marcha sem sucesso
- eu já não te amo... - disse em tom de gravidade segurando-o pelo braço, deitei fora as coisas que me tinhas feito, os quadros, as prendas... foi tudo fora
- bem... isso é contigo... tenho pena, muita pena - estava magoado, era estupido dizer-lhe isto mas estava lançada... e uma vez lançada... - mas não me admira, acho que até tens namorado agora... pelo que me disseram...
- não te vou responder a isso... alias... tu deves tar a divertir-te com as tuas amiguinhas como fazias quando namoravamos...
- ah... tu... eu apanhei-te com outro gajo... andavas a sair com o teu ex nas minhas costas... olha, isto não leva a lado nenhum... não leva a lado nenhum mesmo ok? boa sorte com...
- és mesmo aldrabão! dizes-me que não andas a ter nada com as tuas amigas? eu acho que és bipolar! és louco! e não voltas a falar e a dizer mal dos meus ex namorados...
- eu não disse mal de ninguém... longe de mim estar a ofender quem mata as poucas celulas cerebrais que tem a consumir psicotropicos... hei... afinal tou a dizer mal dele... olha... já te disse que não leva a nada esta conversa...
- ainda me perguntas se tenho namorado... eu não te vou responder a essa pergunta! eu já não te amo já te disse...
sorriu. sorriu bem disposto. complacente um pouco, condescendente e também um pouco para o agoniado - mentos a mais - era ironico e cruel sentir saudades de tão má pessoa... alguem que o abandonara e enganara e pior... esmifrara o que pudera emocionalmente para depois... culpar de todos os defeitos e erros de uma relação onde pelo menos sabia ter sido sempre... ah...quase sempre sincero.


sentia-se estúpido, acabara de lhe passar a má disposição dos mentos e estava a beber café sem ter comido nada. abriu-se a porta do café e reconheceu o esbugalhar de olhos do amigo que este lhe presenteava sempre que o reencontrava
-então? já não te via à mais de... sei lá... meses não?
-é mesmo... como tás?
-um bocado para o chateado... acabei o namoro com a rapariga que te tinha falado e agora ela... eh pa anda-me a chatear a cabeça...
- a serio? então?
- diz que não acredita no que lhe digo
- hoje a ex chamou-me aldrabão
- ah sim? ao menos não diz que és esquizofrénico...
- bem... ela disse que eu era bipolar...




Antes demais um abraço ao DudaMeister - Sr Duarte R. pela inspiração do texto
as gajas que me fornicaram a cabeça e de quem tirei boa parte do texto não agradeço porra...

nota final - "Touch my lips, I'm on fire, You're the only one , I'll ever desire"
da música que mandei os meninos ouvir... até eu chamo ao gajo aldrabão...
Imagens - Crystal Bernard e Peter Cetera at Forever Tonight