sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Shake that body... for me... shake that body...

Acordou no sobresalto da pancada forte, o vibrar do telémovel agora no chão.
tentou não acordar e desligar o estupor mas o gesto era demasiado longo para não mexer o tronco, sair do transe e acordar para o mundo real.
- tás acordado???
-humf... agora tou...
- tens a certeza? ainda não disseste a tua frase registada...
- frase?... ah, foda-se não se pode dormir na puta desta casa... melhor?
- perfeito, tou no café, despacha-te e tomas o banho depois.

malhou. não foi um tropeçar ligeiro, foi mesmo um mágnifico espalho na tentativa de calçar o téni. Doia-lhe a cabeça, tinha o pescoço com um chupão e o braço inchado. doia-lhe o joelho e descobrio a camisa azul que vestira ontem rasgada em três sitios.

- porra, tanto tempo para vestires essa t-shirt e umas calças??? - abriu os braços à pintas italiano ao ver o amigo, afastou a cadeira ao lado da sua na mesa onde estava com o pé convidando-o a sentar-se - ok...  ontem... Tu... 1º ravioli, 2º morena de 1,75 de olhos verdes e 3ºliguei-te cinco vezes e tu rejeitaste as cinco 4º foste visto a dançar com a morena no mood as 3h30 e  5º a mensagem que me enviaste as 5h30 a dizer e passo a citar sua excelência - está cientificamente provado que os gays leem as mensagens de telémoveis com os polegares... podes começar a contar que já mandei vir a meia de leite po sr.

- doi-me a cabeça... fala baixo por favor...e  com carinho que estou sensível hoje...
- não é problema meu... tou à espera...
- tudo tão vago... tão... imagens... vagas...turvas, o medo... o horror...
- apocalipse now... boa, original, conta porra!
- lembras-te de te falar daquela miuda da turma do 3 ano que encontrei no outro dia?  - aguardou pelo acenar positivo para continuar - tinhamos ficado de nos encontrarmos e... ela atrasou-se, do café ficou para o jantar e levei-a ao ravioli...
- mas tu levas as gajas todas ao ravioli porquê?
- eu já te levei ao ravioli... que eu saiba não és uma gaja apesar essas calças enfim... e nunca tentei saltar-te para cima...
- tirando aquela noite em que eu tava bebado e tu carente...
- essa piada é minha...posso continuar? eu não faço questão de contar a história...
- força...
- continuando - deitou o açucar na meia de leite e reparou que tinha os nós dos dedos esfolados...- fui com ela ao ravioli...
- desculpa interromper outra vez, é a outra miuda com quem te davas da turma de teoricas? a PELAMORDEDEUS! 
- já nem me lembrava dessa alcunha dela... sim, ela...
- eeeeeeh lá! mas pela amor de deus! respeito, muito respeito...continua...
- posso? se não quiseres...
levantou a palma da mão, o olhar para o céu em contemplação inspirada - agora já, foi um momento de pausa para saborear as boas e decotadas recordações que ela...
- fomos ao ravioli, falamos sobre o erasmus dela na rep. checa, ela agora tá cá para ficar, até mora ao pé da faculdade...
-mas eu quero lá saber se ela faz sudoku e gosta de celine dion, avança... tás prai com lamechisses, filme porno não tem enredo...
- não é uma historia porno...
- por enquanto...
suspirou, ia encolher os ombros mas doeu-lhe, reviu mentalmente a noite anterior e esboçou um sorriso, corou e tirou os oculos escuros que o protegiam do sól
- eeeeeh lá! ela bateu-te?meu tás um guaxinin do caraças, eh pa, se perguntarem eu é que dei no focinho porque me faltaste ao respeito num jogo de suéca... sempre é melhor do que... tás com um olho negro pá! levaste no lombo da miuda?
- não como tu pensas... já vais perceber...
- tu é que tás a enrolar... ela bateu-te porque lhe disseste que eras abonado e depois quando chegaste à altura aquilo...
- mas porquê que tás a falar do meu penis!?!! não cites o Megatron assim do nada... e deixa-me contar pá...
- força... apanhas-te de uma chavala... ah pantufinha.... a menina mau bateu no panfutinha...
-adiante... a meio do jantar... eh pa, ela diz que ainda não tinha ido sair desde que voltou à dois meses, não teve tempo porque andou a tratar da casa...
- fonix, tas-me a dar sono...
- fomos sair depois do jantar, fomos po bairro, lembras-te que fomos po Mood no ano em que fomos colegas num jantar de turma? fomos para lá numa de saudosismo... e... pera, fomos antes po café no Monumental, bebi uma cerveja alemanha sopinpa 
- sopinpa?
- Mágnfica, ficamos lá até sermos corridos e fomos po bairro, a meio caminho, tavamos a estacionar, e ela diz-me " eu tinha uma panca por ti... e tu eras muita mau... não me davas trela nenhuma..."
- tu tavas sempre atrás dela...parecias a tua cadela a babar pá  picanha... gajas pá... tu tavas sempre a falar com ela e emprestavas-lhe os lápis...
- ya, gajas...ela diz-me isso e não me dirige palavra do cais do sodré até ao camões! olhava pa mim, sorria, empurrava-me com o ombro, e até me deu a mão quando passamos por um maranhal de pessoal a descer no sentido inverso para não nos afastarmos
- parece que tás a escrever no diário... "ele sorriu para mim... será que gosta de mim? o Bon Jovi é tão giro..."
- tu achas o Bon Jovi giro?
- tu é que querias ir ao concerto...
- queria ir pela música...
- sim, e nós namoramos com gajas pela personalidade e companhia...
- foda-se tu és pior que aquela tipa com quem namorei no verão...tás sempre a interromper...
- tu não contas a história!
- tavamos no mood...
-tavas a ir po mood
- obrigado... se quiseres continuar... optimo, tavamos no mood, ela não me dizia nada desde o cais do sodré, assim que entramos, ela puxa-me po meio do pessoal e começa a dançar... para mim... comigo mas para mim... a olhar-me de baixo para cima... eh pa, sorria, encostava-se a mim... até que há uma altura que ela poe os braços à volta do meu pescoço... rodeou-me o pescoço sem parar de dançar... morde o lábio... meu...aproxima-se de mim, do meu ouvido... não faças essa cara de javardo quando tou a contar a história pá, desconcentra-me... ela aproxima-se de mim... diz-me " não dizes nada? ficaste chocado por te dizer que gostava de ti?",afasta-se, poe as mãos nas ancas e para de dançar à espera que eu responda... só me apetecia dizer-lhe - leva-me para casa e dá-me banhinho....aproximei-me dela, ela não se mexe, eu levo o meu nariz ao pescoço dela... eh pa, snifei-a como se não houvesse amanhã, aproximo-me do ouvido e digo
-DÁ-ME A TUA COOOOOOOOOON....
- eh pá...
- sorry, empolguei-me...
- digo-lhe - ficas chateada se te disser que era mutuo?
- e ela?
- da-me o melhor beijo da minha vida...
- VICTOOOOOOORY!!!! eh lá, a facturar... lisandro lopez...
- ela... meu, agarra-se a mim, aquilo era... eh pá, como se ainda agora tivesse o sabor dela na boca...
- fonix, ela sabe a meia de leite e pastel de nata? estragaste tudo...
- pokeralho... 
- continua... 
- ficamos não sei quanto tempo a fazer a Hidra de duas cabeças e um só corpo no meio da pista, colados, eu afalfei-a toda mas menos do que ela a mim... foi simplesmente ninja...
- ok, Mood tá contado mas não explica as escoriações e o olho à pirata...
- saimos do mood e ela diz-me - "quero-te levar a um sitio meu... especial..."
- " á porta do desejo em teu ventre" como diria o grande Toy... tu tiveste no woochie woochie com ela! 
- o quê que eu ja te disse sobre woochie woochie? qual foi a unica coisa que eu te disse sobre sexo?
- ah... que não gostas de surpresas...ou porque  alguém se aleija ou alguém se assusta...
- ...que não comento se sim ou não e a resposta é não...
- demoramos quase meia hora do mood ao cais do sodré, eu não dava dois passos sem que ela me saltasse para cima... entramos no carro, ligo o rádio e trufas... shake that body...
- dos technotronic? shake that body for me...  shake that body for me...??? 
- nem mais, tavamos na onda, ela diz-me - "café in faxavor", cada semáforo... meu deus, eu quase que pedia para me baterem com paus para ter a certeza que táva ali e era mesmo...
- não comeces com descrições abixanadas, paraste o carro e mostras-te-lhe porquê que te chamam " o devasta"
- parei o carro e ela sai, saio atrás dela, ela abraça-me , da-me um beijo ligeiro e sorri, diz-me a meio de um beijo "acreditas que eu passei meses a fantasiar que te dava um beijo... aqui!" - perguntei-lhe... porquê aqui, ela diz-me que era romântico, a ponte, o rio, a noite, a minha pessoa...
- acho que vou vomitar...que nojo de história... coisa mais à gaja... e tu?
- eu sorri... disse-lhe que também tinha pensado como seria dar-lhe um beijo...
- e ?
- ela pergunta-me como é que eu tinha imaginado... eu aproximo-me dela, devagar, muito devagar, encosto o meu nariz no dela... e dei-lhe um beijinho à esquimó....
- e como é que isso explica a sessão de sapateado da tua cara?
- fiz-lhe comichão no nariz e ela começa a rir-se, espirra e vai a cair para trás, para o rio, acerta-me com a mão no olho, eu seguro-a pela mão e ela estica a perna no gesto de cair para trás, da-me uma pantufada no meio das pernas, eu puxo-a para mim e ela cai sobre mim, eu cai de joelhos, ela tropeça e empurra-me e acabei a noite dentro de àgua...

terça-feira, 5 de agosto de 2008

...Qualquer coisa....



"... pudesse eu mudar o imutável, tornar o tempo interminável e viver para sempre...
acharia aceitável, tornar-me por ti frágil, humano... só para ter o teu amor..."

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Amor más más louco...

Listen to my story cause there’s something there for you,

Why is it you make me crazy... with that sweet thing that you do

You make me get down on my knees, you make me laugh you make me cry

You make me thing about it all ... you make me even wonder why

Why I am talking and thinking about your brown eyes,

Thinking about all the time we spend, sometimes until sunrise

Why is it you make me crazy... with that good thing that you do...

You make me crazy, yes I’m crazy…

And that’s cause of you…

There is something... over my head…

There’s something over my…

Amor más más loco… para tu y yo

Amor más más loco… para tu y…

(come to me amor…)

you know you’re sweet… summer time candy, just can’t stand it…

didn’t turn out how we planed….

You left about an hour ago, though about ten reasons why you should so…

As one...

You don’t know what you done

And two…

You don’t know what you wanna do

But three

You know what you did to me

Oh four…

You want to get some more

And five…

You’ve taken my live…

Maybe ten…


I’ll do it over again…

There’s something… over my…


There's something over my head...

Come to me Amor…


( at the end, I accept that some things will never change...)





Nota a anónimo : a letra, ou a sua adaptação - tendo em conta que cortei, modelei umas quantas palavras da música não é da minha autoria, e está longe de ser uma transcrição...

após tal reparo...

a música de seu nome More Love Jon Licht (como surge designada no myspace do autor) é de Daniel Licht, autor da banda sonora da série Dexter.

A banda sonora da segunda temporada da Série Dexter ainda não saiu nos EUA, como tal ainda não se encontra disponivel para download, mas encontra-se disponivel no my space - download não disponivel infelizmente - de Daniel L.

Agradecia a Anónimo caso encontre a música em formato mp3... tivesse a gentileza


até lá sempre se pode ouvir no myspace de Daniel Licht

http://profile.myspace.com/index.cfm?fuseaction=user.viewprofile&friendid=144736282

ou reve-la a nu na série...

http://br.youtube.com/watch?v=2vWQ7N65E6U


sexta-feira, 18 de julho de 2008

oh...e ai vem a luz...

"... as trevas nã0 vão demorar..."


O céu à muito que se fecha, sobre mim... não sobre nós.
oh imagem atroz, essa tua.
Tivesse melhor forma de fincar os pés no chão e na minha a tua mão rodopiar... um suave giro sobre o nosso eixo.
talvez levantasses o pé para ficar mais elegante o gesto, talvez me aproximasse de ti um pouco para quiçá roubar-te um beijo.
talvez tivesse eu sentido que era vontade mutua estarmos ali os dois.
não era minimamente o caso agora eu sei.
Não há sombras neste lugar, sem luz que as desenhem.
Não o rosto das coisas que estão para vir, não há indicação de um qualquer caminho até ao sol, não há por onde entre a luz.
É uma música que já não toca mas nos lembramos, sozinho baloiçando o corpo num gesto tão vago... quase inexistente.

forçando encontrar na memória um cheiro que me era tão natural que não o marquei e etiquetei para não o perder.
É muito menos fácil do que antes, dormente pela dor e ausência, é a frio.

e a frio doí muito.



sábado, 5 de julho de 2008

Le Roi est mort... Vive le Roi!!!!

Afastou-o violentamente, com repulsa, nojo.
Estranhou-a, o gesto, o olhar... mais do que as palavras.
puxou-a para si de novo, procurando de alguma forma encontrar dentro dela algo que lhe indicasse que estava perante a mesma pessoa que tão bem julgava conhecer.
- Sai! larga-me porra, estúpido... sai daqui... vai-te embora!
Empurrou-o com força para longe - odeio-te e não te quero ver mais à minha frente.
ditas estas palavras arrependeu-se. Primeiro pelo seu paladar tão determinado e definitivo, depois por lhe reconhecer a mesma expressão séria que o vira desenhar sempre que algo em si quebrava, sempre que o vira arrancar-se de uma qualquer emoção para um estado de fazer o que tem que ser feito.
virou-lhe as costas, era tempo de se ir embora. avançou sem vacilar até a ouvir atrás de si, puxando-o de seguida pelo braço - não tens nada a dizer? ultima oportunidade...
- tenho... estragaste-me a saída...
- continuas uma besta... podes-te ir embora...
- sempre pude...

saiu do quarto, percorreu o corredor como se estivesse ausente, passageiro do seu próprio corpo.
- vais-te embora assim? nunca me enganaste...
parou. lentamente, sem pressas virou-se para o corredor, via-a na porta do quarto, braços cruzados diante do peito, olhar de desafio e soberba que ela vestia de uma forma tão estranha para si...
- não percebo...
- nunca foste muito esperto...
sorriu - não percebo se tinhas uma mascara antes e caiu agora, se eras o que via antes e por alguma coisa de alguma forma mudaste... seja o que for... não te reconheço.
- foste tu que fizeste esta merda, não me ponhas as culpas que eu...
avançou até ficar com o rosto desconfortavelmente perto do dela
- então diz-me o que eu fiz.

aguardou por uma resposta que não veio, nem sequer perdida em entre as linhas agressivas que lhe eram dirigidas.

sentia-se mal, quer por ainda ali estar quer pelo tempo em que esteve e que já não ia recuperar.
recapitulou tanta coisa que podia ter feito se não tivesse optado por dar a ela esse seu tempo, a segunda parte do jogo com o Marselha em que o Tarik fez de Manteiga e o Porto de Brando, a final do campeonato do mundo de Rugby...devia ter visto primeiro no calendário antes de lhe dizer que sim mesmo que fosse para irem comprar ovos ao supermercado para o jantar.
esperou que ela se cansasse, esperou que abrandasse e se perdesse nos raciocinios, esperou que não tivesse nada mais para dizer.
fitou-a. aguardou que voltasse a cruzar os braços diante do corpo, que se impacientasse com o seu silêncio até lhe ser insuportável.
- não tens nada a dizer? ao menos dizias qualquer coisa...
- ah... le roi est mort... vive le roi! viva eu!
- foda-se... tu sabes que eu ainda gosto de ti - aproximou-se para lhe tocar com a mão no rosto, como sempre fizera quando discutiam e o queria puxar de novo para si.
afastou-lhe a mão com delicadeza, sorrindo no gesto, fitou-a e respirou de peito aberto.
mergulhou o nariz no cabelo dela lentamente, aproximou-se sem pressa do ouvido onde se penduravam brincos que lhe comprara em lagos que ela usara no concerto de Dave Mathews a que tinham ido juntos...


- Elvis has left the building...

quinta-feira, 3 de julho de 2008

The Shape of things to came...

"... Acabei por exasperar pelo toque e entrei de vez, deitando-me, fechando os olhos e concentrando-me na pele, na minha pele quente, agradecida pelo toque da água..."



"... Deixei tombar a cabeça até ao seu apoio...de olhos fechados criei na minha mente um espaço, uma tranquilidade inexistente mas que saboreei e a que me agarrei com força até não conseguir conter a minha inexistência e a consciência esticar a corda puxando-me para o meu mundo real..."


"... nesse instante tudo parecia ser como antes, como sempre devia ter sido... mas não, não eram assim as coisas, antes pelo oposto eram os seus dias. Era como se a historia tivesse terminado sem o avisar..."





"... Vazios que carrego comigo, irei livre para onde a minha vontade me levar, irei por mim, por ti e conquistarei a minha liberdade para viver como quiser até ao fim dos meus dias..."

terça-feira, 1 de julho de 2008


"...Leave me out with the waste
This is not what I do
It's the wrong kind of place
To be thinking of you
It's the wrong time
For somebody new
It's a small crime
And I've got no excuse..."


Como se sentisse a inquietação quando a fitava, como se de alguma forma ali ao longe soubesse que era para si que olhava, só para si...
Como se o rodopiar sobre o seu eixo fosse um truque de mágica, os movimentos ondulantes, o rosto sereno, fosse tudo direccionado para o seu lugar, a sua cadeira ali no meio de tanta gente...
sabia ser somente mais um vulto sem rosto, um corno de ombros e cabelo, sem olhos boca ou expressão... mas mesmo assim era para si que a imaginava dançar.
abanou a cabeça e regressou a si, ao mundo real, afinal porquê que haveria de ser ele, estranho ou mais que isso fonte da sua inspiração? como se sentado na praia as nuvens se formassem para desenhar diante de si as imagens que de alguma forma algo lhe indicassem, a si e somente a si.
os ventos e as nuvens esvoaçarem diante de si para o agradar...
olhava não egoísta, querendo dela para si a atenção, mas na ternura de quem saboreia o embalo de uma música prestes a chegar ao seu fim, o corpo que se move lento e vagaroso, terminando o gesto com o chegar da luz, fim de actuação.