sexta-feira, 15 de agosto de 2008
Oh... Cherrie....
talvez fosse essa a sua ultima oportunidade junto dela.
sorriu sarcástico no pensamento do "talvez", como se houvesse para ambos outra qualquer solução.
pensava e repensava, pensava outra vez para ficar bem mexido e complicado, parava de pensar e divagava novamente no pensamento do que queria dizer.
só mais uma vez...
não sabia se queria mais uma hipótese com ela, se queria ficar sentado na mesa do costume toda a tarde, naquele café de todos os dias, cupccino habitual, a companhia dela como antes.
ocurreu-lhe um pensamento diferente, devia ter bebido mais cerveja, uma sequer... talvez embriagado pela cevada, dormente, anestesia salvadora da cerveja o ajudasse a despachar o assunto sem receios, sem rodeios, sem o medo do último instante se perder.
já tinha subido a porcaria da rua tantas vezes...mais do que ela a tinha descido... ah mulher caprichosa, donzela altiva no cimo da tua torre...
estranhou o prazer que sentia em cada passo, sabia que era a ultima vez que ela era o seu destino, que pé ante pé subia para a ver, e inspirava o gesto até se desfazer doce na boca, descolar perfumado do seu nariz...
era a ultima vez... mas com força!
ao fim de tão tortuoso caminho - caramba, também não era assim tão longe quanto isso, eis que ela surge, como sempre...
ah... ansiada imagem, o cabelo negro sobre os ombros, desta vez o olhar atento às linhas do livro que lia concentrada, pernas cruzadas, apoiadas numa outra cadeira, o rio lento e preguiçoso, talvez da hora, fugia para o mar atrás da sua imagem...
respirou devagar e avançou, sentou-se sem palavras e sem estas ficou.
- estou a acabar o capitulo... espera um pouco...
esperou, aguardou.
manteve-se atento ao ondular da água à sua frente, ao pairar rodopiante, em queda e flutuante das gaivotas no ar.
ouviu o som tão particular e distinto de quando um livro se fecha ao seu lado.
sentiu-a nos seus lábios sem aviso, sentiu-o o corpo dela sentar-se em cima do seu, abrindo-se, puxando-o para si.
sentiu o cheiro dela seguir o sabor na sua boca que o exasperava, a mão dela puxa-lo pelo pescoço para dentro de si, como se disse dependesse a força dos seus beijos, sentia-a sorrir na sua boca, sentia-se a perder todo e qualquer texto que tivesse organizado na viagem até ali...
não a afastou... alimentou o beijo.
sentiu-lhe o corpo com as mãos, sentiu as dela frias sobre a sua roupa contra o seu peito...
- porquê que te atrasas sempre...
- mas eu cheguei antes da hora combinada...
- precisava de ti antes...
levantou-se, puxou-o pela mão atrás de si
esbugalhou os olhos no desenho do contorno do corpo dela, as ancas, o reflexo preto das calças, e ela... sabia que tinha qualquer coisa importante para falar com ela... qualquer coisa importantíssima como as coisas importantes são.
parou diante de si e virou-se.
segurou-lhe o rosto com ambas as mãos, sorria... ah e começava a doer-lhe vê-la sorrir...
-porquê que estás assim tão sério? o que se passa?
perguntou-lhe empurrando para longe o sorriso
queria-lhe dizer, queria falar com ela de muita coisa, queria saber bem o que dizer de um modo poético, de um modo que vincasse nela o que sentia, para que não se esquecesse de si, daqui a uns anos a reencontrasse numa praia - para ser romântico, e lhe reconhecesse a ternura que tanto lhe custava agora magoar, para que quando de si falasse fosse em desejo, fosse na ânsia de o ter de novo, fosse somente uma memória que tivesse cativa com ternura, mas...
deu-lhe um beijo, desarmou-a.
deixou-a confusa, olhava para ela na certeza do que teria que fazer, beijava-a na vontade do que queria que fosse.
abraçou-a e levou-a para longe do rio.
acordou.
sentiu o corpo dela sobre o seu.
sentia o calor dela nua, o respirar lento e tranquilo de quem dorme profundo e em paz.
beijou-lhe por instinto a nuca, cheirou-lhe por reflexo o cabelo, o cheiro quente e hipnotizante que adorava reter em seu redor.
passaram-se horas até que ela acordasse, minutos que sorveu sedento, que reteve na angustia de irem de algum modo ser os últimos...
Desligou a aparelhagem que à muito estava ligada sem que dela música tocasse.
há muito que se mantinha flutuante numa indecisão de ir ou ficar diante da porta.
ás vezes nada mais há a fazer...
e fazer o quê outra vez? ficar quieto? era a alternativa que lhe restava e agarrou-a.
saiu de casa, avançou fechado em si mesmo.
ah... ansiada imagem(receada também), o cabelo negro sobre os ombros, desta vez o olhar atento às linhas do livro que lia concentrada, pernas cruzadas, apoiadas numa outra cadeira, o rio lento e preguiçoso, talvez da hora, fugia para o mar atrás da sua imagem...
respirou devagar e avançou, sentou-se sem palavras e sem estas ficou.
olhou para ela, tão perto de si... ali do seu lado.
sentia-se pressionado por si mesmo, pela vontade de encontrar aquela frase perfeita que lhe roubasse a atenção dela do livro que lia, para a fazer sorrir e de alguma forma... puxa-la para o seu mundo...
sorriu, sorriu no pensamento - deves-te peidar como um coelhinho, é uma frase com piada entre amigos mas talvez uma má opção quando platónicos romances se transformam em respostas reais como um sorriso, um gesto de apego... ou numa ordem de restrição que era o mais provável ante tal subtil - e romântica - abordagem.
era estúpido não querer perder a imagem perfeita que imaginava, o vazio onde podia colocar tudo o que queria, e não deixar que a realidade daquele ser estranho concentrado nas letras e linhas de o bosque dos mítacos... caramba... era demasiado irónico para não lhe dar vómitos.
perdido no vai e vêm dos seus receios, deu por si sozinho ao pé do rio.
tinha-se ido embora.
continuava tudo na mesma... os mesmos espaços em branco, as mesmas incógnitas, o mesmo nome que dela não sabia... e queria tanto o saber...
queria vê-la sorrir, queria ouvir a sua voz para dela ter uma ideia, queria esbracejava as palavras em gestos, se era contida no gesticular, se
queria saborear esse instante que mesmo em vão... era seu.
idiota.
“-percebeste?
- sim, percebi…
- percebeste mesmo?
-sinceramente não, mas já não tenho paciência…
- eu vou-me embora… queres saber porquê?
- e continuares a falar? Não… eu confio no teu julgamento… e tendo em conta o que eu acho… era como uma bufa durante um furacão
- vai para o inferno… de certeza que já deves ter lá um lugar reservado…
- ena! Óptimo, odeio ficar à espera em filas…
-metes-me nojo… nojo! Diz-me – colocou as mãos nas ancas – tas à espera que eu te faça alguma coisa agora? Tas à espera de alguma coisa?
- estar à espera não estou… mas podias-me ir buscar uma cerveja que tá quase a começar o Porto…
- vai à merda… tou farta… vai à merda…e achas que ficaram do teu lado porque tinhas razão…
- ficaram do meu lado porque primeiro tenho razão e segundo, nunca se sabe quando podem precisar de um rim… coisa que sempre fui é ser um gajo generoso… e tirando ires buscar a cerveja tu não serves propriamente para muito…
ficou calada, boca meio aberta, queixo ligeiramente para o lado.
Aproximou-se. Cerrou o olhar procurando intimidá-lo
- se achas que eu vou engolir as merdas que…
- se não queres engolir… preferes em supositório?
- tu vais ficar sozinho… vais ficar sozinho muito tempo…
- por algum motivo Deus presenteou os homens com polegares oponíveis…"
sexta-feira, 8 de agosto de 2008
Shake that body... for me... shake that body...
terça-feira, 5 de agosto de 2008
...Qualquer coisa....
segunda-feira, 4 de agosto de 2008
Amor más más louco...
Listen to my story cause there’s something there for you,
Why is it you make me crazy... with that sweet thing that you do
You make me get down on my knees, you make me laugh you make me cry
You make me thing about it all ... you make me even wonder why
Why I am talking and thinking about your brown eyes,
Thinking about all the time we spend, sometimes until sunrise
Why is it you make me crazy... with that good thing that you do...
You make me crazy, yes I’m crazy…
And that’s cause of you…
There is something... over my head…
There’s something over my…
Amor más más loco… para tu y…
(come to me amor…)
you know you’re sweet… summer time candy, just can’t stand it…
didn’t turn out how we planed….
You left about an hour ago, though about ten reasons why you should so…
As one...
You don’t know what you done
And two…
You don’t know what you wanna do
But three
You know what you did to me
Oh four…
You want to get some more
And five…
You’ve taken my live…
Maybe ten…
I’ll do it over again…
There's something over my head...
Come to me Amor…
( at the end, I accept that some things will never change...)
Nota a anónimo : a letra, ou a sua adaptação - tendo em conta que cortei, modelei umas quantas palavras da música não é da minha autoria, e está longe de ser uma transcrição...
após tal reparo...
a música de seu nome More Love Jon Licht (como surge designada no myspace do autor) é de Daniel Licht, autor da banda sonora da série Dexter.
A banda sonora da segunda temporada da Série Dexter ainda não saiu nos EUA, como tal ainda não se encontra disponivel para download, mas encontra-se disponivel no my space - download não disponivel infelizmente - de Daniel L.
Agradecia a Anónimo caso encontre a música em formato mp3... tivesse a gentileza
até lá sempre se pode ouvir no myspace de Daniel Licht
http://profile.myspace.com/index.cfm?fuseaction=user.viewprofile&friendid=144736282ou reve-la a nu na série...
http://br.youtube.com/watch?v=2vWQ7N65E6U
sexta-feira, 18 de julho de 2008
oh...e ai vem a luz...
O céu à muito que se fecha, sobre mim... não sobre nós.
oh imagem atroz, essa tua.
Tivesse melhor forma de fincar os pés no chão e na minha a tua mão rodopiar... um suave giro sobre o nosso eixo.
talvez levantasses o pé para ficar mais elegante o gesto, talvez me aproximasse de ti um pouco para quiçá roubar-te um beijo.
talvez tivesse eu sentido que era vontade mutua estarmos ali os dois.
não era minimamente o caso agora eu sei.
Não há sombras neste lugar, sem luz que as desenhem.
Não o rosto das coisas que estão para vir, não há indicação de um qualquer caminho até ao sol, não há por onde entre a luz.
É uma música que já não toca mas nos lembramos, sozinho baloiçando o corpo num gesto tão vago... quase inexistente.
forçando encontrar na memória um cheiro que me era tão natural que não o marquei e etiquetei para não o perder.
É muito menos fácil do que antes, dormente pela dor e ausência, é a frio.
e a frio doí muito.
sábado, 5 de julho de 2008
Le Roi est mort... Vive le Roi!!!!
Estranhou-a, o gesto, o olhar... mais do que as palavras.
puxou-a para si de novo, procurando de alguma forma encontrar dentro dela algo que lhe indicasse que estava perante a mesma pessoa que tão bem julgava conhecer.
- Sai! larga-me porra, estúpido... sai daqui... vai-te embora!
Empurrou-o com força para longe - odeio-te e não te quero ver mais à minha frente.
ditas estas palavras arrependeu-se. Primeiro pelo seu paladar tão determinado e definitivo, depois por lhe reconhecer a mesma expressão séria que o vira desenhar sempre que algo em si quebrava, sempre que o vira arrancar-se de uma qualquer emoção para um estado de fazer o que tem que ser feito.
virou-lhe as costas, era tempo de se ir embora. avançou sem vacilar até a ouvir atrás de si, puxando-o de seguida pelo braço - não tens nada a dizer? ultima oportunidade...
- tenho... estragaste-me a saída...
- continuas uma besta... podes-te ir embora...
- sempre pude...
saiu do quarto, percorreu o corredor como se estivesse ausente, passageiro do seu próprio corpo.
- vais-te embora assim? nunca me enganaste...
parou. lentamente, sem pressas virou-se para o corredor, via-a na porta do quarto, braços cruzados diante do peito, olhar de desafio e soberba que ela vestia de uma forma tão estranha para si...
- não percebo...
- nunca foste muito esperto...
sorriu - não percebo se tinhas uma mascara antes e caiu agora, se eras o que via antes e por alguma coisa de alguma forma mudaste... seja o que for... não te reconheço.
- foste tu que fizeste esta merda, não me ponhas as culpas que eu...
avançou até ficar com o rosto desconfortavelmente perto do dela
- então diz-me o que eu fiz.
aguardou por uma resposta que não veio, nem sequer perdida em entre as linhas agressivas que lhe eram dirigidas.
sentia-se mal, quer por ainda ali estar quer pelo tempo em que esteve e que já não ia recuperar.
recapitulou tanta coisa que podia ter feito se não tivesse optado por dar a ela esse seu tempo, a segunda parte do jogo com o Marselha em que o Tarik fez de Manteiga e o Porto de Brando, a final do campeonato do mundo de Rugby...devia ter visto primeiro no calendário antes de lhe dizer que sim mesmo que fosse para irem comprar ovos ao supermercado para o jantar.
esperou que ela se cansasse, esperou que abrandasse e se perdesse nos raciocinios, esperou que não tivesse nada mais para dizer.
fitou-a. aguardou que voltasse a cruzar os braços diante do corpo, que se impacientasse com o seu silêncio até lhe ser insuportável.
- não tens nada a dizer? ao menos dizias qualquer coisa...
- ah... le roi est mort... vive le roi! viva eu!
- foda-se... tu sabes que eu ainda gosto de ti - aproximou-se para lhe tocar com a mão no rosto, como sempre fizera quando discutiam e o queria puxar de novo para si.
afastou-lhe a mão com delicadeza, sorrindo no gesto, fitou-a e respirou de peito aberto.
mergulhou o nariz no cabelo dela lentamente, aproximou-se sem pressa do ouvido onde se penduravam brincos que lhe comprara em lagos que ela usara no concerto de Dave Mathews a que tinham ido juntos...
- Elvis has left the building...