quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Desagradável

Já era tarde, muito quando a porta se abriu.
Tinha quatro pisos à sua frente para subir, parou no segundo andar.
Um suave travo a tabaco primeiro levou-o a parar, ficando como que à escuta, à espera de qualquer coisa.
De tabaco, o cheiro adensou-se, adoçou-se e sorriu.
Tinha tido a certeza que se aguardasse ia encontrar uma memória na mistura de cigarro e madeira velha, uma memória de alguém que até ser certeza se bifurcou, qual das duas pessoas lhe dera a conhecer aquele cheiro anos atrás? e ele na dúvida para onde ia cair a recordação que se aproximava parado no meio das casas até ouvir lá em cima a porta onde o aguardavam a abrir.
Retomou a subida, sem dúvidas sobre quem era o cheiro.
Chegou ao penúltimo lance de escadas, virou e viu-a.
Esperava-o à porta, dedos pelos cabelos e acenou-lhe enquanto ele vencia os últimos degraus.
Entrou-lhe casa adentro sem um beijo, o que a indignou.
-Nem boa noite?
-Nada, dá-me um minuto...
-Não, besta, estúpido, eu fiz-te o jantar e...
Virou-se para ela, avançou. Segurou-a pela cintura, levantou-a.
Encaixou-se nele, embrulhando-o com as pernas devagar... deixando o corpo dele subir-lhe a saia.
Devagar, aproximou-se da mesa com ela ao colo, depositando nesta, suave, delicado, o peso dela sem perder distância ou deixar fugir o rosto do seu.
Abriu um botão da camisa dela, abriu-lhe dois botões.
- Boa noite- beijou-a
- Olá! como vai você? tudo bem consigo?- beijou-o
- Cá estamos, olhe, havemos de repetir isto mais vezes...
- Ainda nem te toquei...
 Abriu-lhe outro botão, e outro.
- Se for eu conta?
- Não sei ao que te referes... ainda não vi nada...
Puxou-lhe a camisa para fora da saia, abriu-lhe os botões em falta.
- E fui-me eu arranjar enquanto não chegavas para não perder tempo...
- Lamento, tudo tem o seu preço... e eu não te deixo ir embora assim sem mais nem menos...
- É uma maçada, vamos chegar atrasados...
Puxou-lhe o cinto das calças, apertou-o contra si.
- Realmente, muito desagradável.




sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Cortesia

Mudança acima, mudança abaixo, podia passar no cruzamento mas pado, concedo passagem a um carro cujo condutor era uma mulher, deixando-a passar.
A Madame Namorada ao meu lado cruza os braços, amarra o burro e atira-me - "só a deixaste passar porque é gaja..."

Eu repondo-lhe que confere, que daqui a uns anos, cruzamos-nos por ai e ela ao reconhecer-me, ao recordar a minha cortesia e gentileza...

Estará mais predisposta a prendar-me com um mais do que justo felácio, nunca se sabe...




Cinco cruzamentos depois, confesso, estou a desesperar por uma rotunda...





Porque me apercebo do que disse...

E uma mulher nunca esquece...



segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Eu



Nota - é um jeito simbólico de vos dizer que estou momentaneamente ocupado, mas não parei de escrever no blog.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Uma Sugestão ao Museu Maritimo de Ílhavo

...Também conhecido por " Museu do Bacalhau ", o que pensam do apadrinhamento de Bacalhaus?
Eu apadrinhei uma cadela - totalmente awesome - na UZ, podiam seguir o esquema e colocar a disponibilidade para quem quisesse apadrinhar um Bacalhau do aquário! assim eu podia escolher um, andar com uma foto dele na carteira para mostrar aos amigos e caso fosse possível também dar nome à criatura, eu queria que o meu bacalhau afilhado se chamasse Joffrey Baratheon...

E depois quando os outros Bacalhaus lhe faziam alguma coisa ele dizia- Mother's gonna know about this!!

Era tão bonito...

Pensem nisso, pessoal de Ílhavo com connects no Museu do Bacalhau, façam acontecer.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

R.

Estava sentado há pelo menos uma hora e meia naquela mesa do café. Tinha - finalmente - vencido a última página do livro O retrato de Dorian Gray que estava tão bem escrito como pecava de um atroz erro logo a começo de partir do principio que Dorian iniciava a história sendo boa pessoa, o que não era o caso.
Talvez isso lhe tenha dificultado a leitura, mas era passado agora.
Organizou os pertences sobre a mesa, desarrumou os mesmos depois, pareceu-lhe doentio tudo tão alinhado e simétrico, tinha que dar uma de rebelde, entortando o bloco onde desenhava ligeiramente para a esquerda.
Realmente, muito rebelde, era daquelas pessoas que gosta é de ver o mundo em chamas...
Olhou para o relógio, ela tinha pelo menos mais meia hora de trabalho até sair, ele tinha o rabo confortável e até gostava da música que tocava à sua volta, Nina Simone era sempre perfeito fosse para o que fosse, melhor ser o que era - fundo de um desenho que descobria sobre o papel.
Quando a porta do café se abriu, ao contrário de todas as outras vezes que tal acontecera desde que chegara ao café, sentiu um impulso de ver quem chegava.
Ela entrou sem esperar que o namorado lhe abrisse a porta, gesticulava e falava e calou-se quando escutou a música

- Ah... isto é... Wild is the wind!

- Não conheço- respondeu-lhe o namorado

- Nina Simone...

- Não gosto...

- Isso era motivo para divórcio com justa causa Joana...

Viraram-se ambos para a mesa onde ele se encontrava, ambos pararam de sorrir.

- Olha tu...

- Olha vocês... desculpa - disse fitando o namorado da sua ex namorada - Nina Simone... Oh pá, há coisas que não! - estendeu-lhe a mão, sincero e sincero a mão do seu sucessor com a Joana fechou-se na dele, sorrindo.

- Eu sei que a falha é minha... estás bom?

- Estou sim, melhor que o teu Sporting...

- Olha - disse Joana, interrompendo - não comeces... deixa o Sporting dele sossegado, coitado... dás-me uns minutos com ele? vais-te sentando e pedes-me um chocolate quente e já lá vou ter? - finalizou com um beijo nos lábios do namorado.

- Não vás! não me deixes aqui com ela...

- Ah ah! bem feita... até já.

Ficaram sós, ela sentou-se.

- Vens para o café com o teu namorado e sentas-te na mesa com o teu ex?

- É temporário, estamos à espera de mais pessoas para jantar... queria falar contigo de uma coisa...

- Medo...

- Já viste o puto da Inês?????

- Que gaja! sim, já, não me perguntas se tou bem, mas queres falar comigo da Inês que andou a parir... espera... tu foste... tu foste ver... aposto, aposto que foste ver ao Facebook se o puto era parecido comigo...

- Até tu foste ver se ele era parecido contigo!

- Confere, mas olha que só com vontade não se engravida que eu e a Inês nunca...

- Eu sei, não percebi. Achei sempre que depois de eu e tu... finito, pensei que tu e ela iriam se enroscar e...

- Também pensei isso, funcionávamos bem, acho que ela também pensou mas...

- Mas depois tu conheceste a R...

- Hey!

- Hey nada, odeio-a, foda-se, odeio aquela gaja...olha, tá a tocar a Lover, you should have come over my shoulder...

-Queres ir dançar a música comigo? à frente do teu namorado? ele parece-me tão... confortável...

- Isso quer dizer o quê?

- Confortável, seguro, uma camisola de lã com renas que usas na noite de natal... boa pessoa...

- Ele é... trata-me bem, gosto dele, muito.

- Fico feliz por ti, e sabes que estou a ser sincero...

- Porquê que foste namorar com aquela gaja?

- Precisas de levantar a voz? Porque me apaixonei por ela, porquê que te faz tanta comichão?

Encostou-se na cadeira, cruzou os braços, disse-lhe que não lhe ia responder a isso.
Imitou-a, encostou-se na cadeira, cruzou os braços e fez beicinho.

- Fode-te...

- És sempre uma mulher tão ternurenta... o teu namorado tá à espera... aquilo é uma camisola de lã que tem vestida?

- Sim, sem renas.

- Gosto dele, acho que vais ser feliz.

- Obrigado, tu...

- Não sou confortável?

- Não, não és, nunca ficaste.

- TU MANDASTE-ME EMBORA! TRÊS VEZES! e desculpa... pedi para não levantares a voz... foda-se, que raiva que me dás...

- E tu devias... ter ficado... mesmo depois de te mandar embora...

Fitaram-se.

- Fazes-me um favor? não, dois?

- Diz-me, o que queres Joana... hey, não chores... que não te posso abraçar...

- Não tens camisola de lã para seres fofo... falas com ele enquanto me recomponho? só uns dois minutos...

- Certo, estranho, mas certo... e o segundo?

- Aconteça o que acontecer... tu não ficas com a R...

- Hey! que merda de...

- Sabes porquê que não gosto dela? eu digo-te, não gosto porque ver-te com ela... foi ai que senti que... já não eras meu, que tínhamos chegado ao fim... é por isso que a odeio profundamente... isso e ela ter aquelas mamas simplesmente fantásticas... puta.

Levantou-se, deu a volta à mesa, baixou-se e beijou-a na testa.

- Dois minutos! senão começo a fazer piadas sobre o teu mau feitio.

-

Sentou-se na mesa onde o seu sucessor estava.

- Desculpa, eu e ela... temos uns certos tópicos problemáticos que dá sempre asneira...

- Eu percebo, fico meio desconfortável, admito, mas percebo.

- Desconfortável?

- Que tu mexas com ela, óbvio.

- Eu não mexo com ela, irrito-a, é diferente!

- Eu também a irrito! a toda a hora, aliás, tu deves ser o gajo que melhor sabe lidar com ela... alguma dica?

Fitou-o, a pergunta era metade desespero, metade curiosidade.

- Queres mesmo que responda a isso?

- Dava jeito... eu não sei lidar com ela quando ela... explode, e depois eu faço...

- Tenho três coisas que te posso dizer...

- Só três?

- Acho que chegam...

- Diz-me.

- A primeira coisa...olha para ela, agora, olha e interioriza que ela é o teu topo, não vais encontrar nunca uma mulher acima dela e não te podes nunca esquecer disso... mas não a trates como tal, só aos fins de semana ou em dias em que ela saia mais cedo, calma, eu explico...

- Dava jeito, não percebi

- Tratas-a sempre, sempre bem, mas sem exagero senão ela sufoca, enjoa e ganha diabetes de ti, de seres tão doce e foge. Fazes é com frequência com que ela se lembre porquê que te escolheu a ti, seja porque te aninhaste com ela no sofá ou porque a beijaste sem ela estar à espera e ficaste por lá mais tempo, deixa-a sem saber quando é que ela te exalta e faz passar da cabeça.

- Ok... acho que percebi... mais coisas

- Quando ela te mandar embora, fica, mesmo que ela te mande embora a pontapé - fez uma pausa sublinhando que era algo plausível, ou no seu caso... recordação - sais de casa dela e ficas sentado do outro lado da porta da rua, aconteça o que acontecer, tu não vais embora, nunca!

- A terceira coisa...

- A terceira e última coisa... chocolates da Arcádia, ela vai-te perguntar sobre o que falamos, tu vais-lhe responder que me perguntaste por uma dica para lidar com ela, ela vai-se irritar primeiro, depois vai cruzar os braços e gaja como é, vai-te perguntar porque não aguenta não saber.... e tu vais-lhe responder que te dei a dica de lhe comprares chocolates da Arcádia que ela adora, e quando discutirem, porque vão discutir, tu vais dizer-lhe que até pensaste em comprar mas ficaste na dúvida se ela queria... e ela vai-te mandar à merda que nem devias ter perguntado... e depois compras, e à segunda ou terceira discussão... pumbas, fazes as pazes com isso... olha, ela vem ai... bora fingir que estamos a falar do Sporting?

- És um monstro...

- Já tou ok, então, estão a falar do quê?

- Do Sporting, e descobrimos que ambos partilhamos a paixão por musicais do Andrew Lloyd Webber...

- Sou louco pelo Fantasma da ópera! o meu sonho era fazer de Christine e estar no palco e...

- Fodam-se, os dois...

- Bem, eu vou-me embora, gostei de os ver aos dois, vou só apanhar as minhas coisas e estou de partida e tu já sabes, os dois em maio, londres, vamos juntos só os dois ver o Fantasm... hey! ele é teu namorado! bate nele! não a mim!

- Tu és...

- Adorável... encantador...

Deixou-os na mesa, vestiu o casaco, organizou o livro e o bloco onde não terminara o desenho e virou-se para sair. Parou, acenou-lhes e partiu.
Virou para a direita, começando a descer a rua, tirou a luva direita e marcou o número dela.

- Estou?

- Já despachada?

- Sim, já estou, vou ter contigo ao café?

- Não Isabel, eu vou ter contigo ai... agora...

- Isabel? mas que raio... nunca me chamas pelo segundo nome...

- Hoje apetece-me...

- Não gosto, chama-me como sempre... R...



quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Corvo Negro.

Acordou com o telemóvel a vibrar sobre a mesa de cabeceira. Esticou o braço mas já não foi a tempo, viu o registo de chamadas e o número não estava identificado. Olhou para as horas, espreguiçou-se. Deslizou para fora da cama sem levantar muito os lençóis para não a acordar com frio, afinal, estava nua dentro da cama.
Olhou para ela e sorriu.
Estava para lá de satisfeito, estava feliz.
O quarto estava quente, denso. Saiu para lavar os dentes, já não tinha sono mas podia perfeitamente voltar para a cama depois e "acidentalmente", num toque totalmente involuntário...  que se iria "acidentalmente repetir até a acordar...repetirem o que tinham começado ontem sobre a mesada sala.
Transportou-se para esse momento, em que ela sentada sobre a mesa sorria enquanto ele lhe abriu os botões da camisa, devagar. Deixou-se ficar por ali, no peito dela... na recordação deste.
Esticou os braços para o ar de pé no meio da sala. Virou-se quando ouviu a porta do quarto abrir. Ela surgiu com a sua camisa vestida, descalça e com o seu telemóvel na mão.

- Estão-te a ligar, é anónimo não atendi... bom dia - entregou-lhe o telemóvel e foi lavar os dentes depois de o beijar no rosto.

Atendeu.

- Estou? bom dia... quem fala?... ah... sei, o que me queres?... estás-me a ligar porquê? o quê?... o quê que eu tenho a ver com... NEM PENSES! tu não te atrevas... tu.. filha da puta...  FODA-SE NÃO!NÃO! NÃO!... Foda-se! foda-se foda-se!! FODA-SE!

Atirou com o telemóvel para o sofá e deu um soco no ar.

- Hey!

Virou-se para a encarar

- Heeeey! estás-me a assustar... o que se passa? - disse, abraçando-o de seguida.

Sentou-se no sofá, ela rodeou-lhe os ombros com o braço - fala comigo porra!
Colocou as mãos sobre a cabeça - filha da puta...



-


Estavam sentados na esplanada há coisa de dez minutos quando a viu passar. 

- É aquela ali... - disse, apontando discretamente. Ela baixou o livro e baixando a cabeça para a ver por cima dos óculos escuros respondeu-lhe:

- É gira... foda-se, coitada... olha... como é que vais fazer isto?

- Espero que ela se sente, depois sento-me com ela e digo-lhe o que te contei de manhã em tua casa... porquê que sorris?

- Porque gosto de ti! até metes nojo... 

- Aaaaaah... deixa-me ir, se fico aqui contigo começo a enrolar e depois nunca mais, não a quero deixar muito tempo à espera... tu ficas bem?

- Tenho o meu livro, tenho café e o cú confortável... e não queria estar no teu lugar agora.

- Eu não queria estar no dela...

- Isso, mais isso, eu amo-te, dá-me um beijo e vai lá...

Beijou-a, demorou-se por gosto primeiro e depois por querer o tempo suspenso naquele instante.

Ajeitou o casaco e entrou no café.

Aproximou-se da mesa onde ela se encontrava, parou diante desta até ela reparar em si.

- Olá, bom dia, posso-me sentar?

- Olá... ah... - franziu os olhos, estava a começar a reconhecer quem era - eu estou à espera do meu... eu conheço-te?

Sentou-se

- Conheces, e... e...

- Já sei, não eras colega de um amigo do...

- Sim, da faculdade...

- Ah! estás aqui a fazer? o que é feito de ti? tu não eras da turma?

- Sim, tudo isso, olha... anos atrás.... eu ia de carro para o Alentejo com o meu Pai, sempre me dei muito bem com ele sabes... ele contou-me, estávamos a falar de Rolling Stones, que tinha um amigo para casa de quem ia ouvir os álbuns, esse amigo quando chegou a idade de ir pá tropa, naquela altura havia o Ultramar, o amigo não queria ir, decidiu fugir para França e pediu ao meu Pai depois de fugir, para ir no dia a casa dele contar aos Pais dele e foi uma cena do caraças, ainda por cima uns dias depois o gajo é apanhado na fronteira e recambiado para casa e... enfim, uma salganhada do caraças... e calma, já vais perceber... eu lembrei-me desta história enquanto te esperava à pouco, ali fora até tu chegares...

- Esperavas-me? eu combinei aqui com...

- Ele não vem.

- O quê?

- Hoje de manhã, ele ligou-me. Nós, eu e ele, nunca nos demos bem na faculdade. Cheguei a dar-lhe um banano no focinho porque... porque andou a meter os cornos a uma outra colega nossa de turma com quem eu me dava mais ou menos bem e andava a comer outra gaja à frente dos colegas... eu disse-lhe que ele tinha que ser homem e respeitar a namorada, ele espingardou e quando cresceu para mim.. bem, avançou e eu na altura andava no boxe... foi patético... só mantivemos contacto porque sou amigo como tu sabes do primo dele... hoje de manhã ele ligou-me, não sei de onde mas não de Portugal, ele disse-me que sabia que eu era homem para fazer o que estou aqui a fazer mesmo não tendo relação contigo... não por ele, mas para não te deixar aqui... sozinha, à espera de alguém que não vem.

- O quê que tu estás a dizer? isto é uma piada?

- Não não é!, ele não têm tomates para acabar contigo, como não teve com a outra nossa colega, ele bazou, foi embora, foi embora com uma gaja qualquer e não teve coragem de te vir dizer isto aqui e agora... fez de mim o teu corvo negro de más noticias...

- Mas nós vamos... amanhã... ele disse...

- Liga, liga a quem souber dele e pergunta por ele, aos pais, aos amigos, a quem quiseres, eu já perguntei ao primo dele se ele tinha pedido o meu número e ele disse-me que sim, justificando-se quando o pediu com uma questão de trabalho... eu não quero ser frio ou... eu não sei como te dizer isto...

Ela agarrou no telemóvel, ligou aos pais dele que lhe estranharam o telefonema, afinal, tinham terminado a relação um mês atrás segundo o filho... ligou para um amigo dele que lhe respondeu o mesmo...

Atirou o telemóvel para cima da mesa e levou as mãos ao rosto.
Ele deixou-a uns segundos estar só. Levantou-se, contornou a mesa e sentou-se ao lado dela que, sem perguntar se podia ou ele oferecer... abraçou-o, chorando.

O tempo passou, acalmou.
Ele perguntou-lhe a quem ela ligaria se fosse preciso esconder um corpo. Procurou o nome da amiga no telemóvel dela, ligou.

- Olá, a tua amiga precisa de ti. Ela não está só nem vai ficar até tu chegares, quando podes? uma hora? ok, eu espero.

- Porquê que tu... estás aqui? tu não me conheces... tu nem gostavas dele... 

- Se eu não estivesse aqui, estarias aqui sozinha à espera de alguém que não ia aparecer nunca, ias ficar na ignorância... e talvez até ficar preocupada com quem não... eu moro aqui perto, não me deu trabalho e...

- E agora?

- Agora?

- Sim... o que faço agora? era suposto...

- Agora estás livre dele... 

- Ele fez sexo comigo ontem, disse-me que me amava e hoje íamos... foda-se...

- Não... não dês valor ao que te dizem... se tu respondeste de volta... dá valor ao que tu dizes que sentes, mesmo que seja por quem não merece ou não sente o mesmo... 

- Olha, a minha amiga já vem ai... 

- Então... estás entregue...

Abraçou-a, beijou-a no rosto e perguntou-lhe se podia a procurar e saber dela dai a uns dias e que se precisasse, estava à vontade para o procurar, estando também livre para o esquecer já que era a personificação de um momento de dor...

Ela respondeu-lhe que o iria procurar sem falta e mergulhou nos braços da amiga depois de se despedir com um sorriso.

-


Rodeou-lhe o pescoço e beijou-lhe os lábios sérios e carrancudos.

- Então? como correu fazeres de Cassandra?

- Usei a imagem mitológica do Corvo negro como portador de más noticias, ainda pensei na Íris mas era um mensageiro dos deuses e isso elevava o outro cabrão, a Cassandra tinha a maldição de ninguém acreditar nela e um corvo... é mais viking...

- E como tu agora teimas em não fazer a barba...

- Vês como tu me conheces tão bem... Vamos embora? preciso de...

- Um gelado na Santini? e depois faço-te sexo e depois levo-te a jantar antes de irmos ao cinema?

- Frigg? és tu?

- Quem? 

- Uma espécie de profeta na mitologia nórdica... a mulher do Odin... Frigg ou Frigga, também pode ser assim.

- É por isto... e pelo que fizeste ali dentro... que eu inequivocamente te amo... és tão anormal ás vezes...

- Eu sei, eu sou encant...








domingo, 27 de janeiro de 2013

A Tal

Eu levanto-me da mesa e pergunto-lhe se quer que lhe traga um croassant...

- Estás louco? estou super gorda!!!

- Não sejas parva, vá lá, queres o croassant ou não?

- Tens a certeza? é que eu sinto-me... bem, se dizes que não trás-me o croassant e luto eetheen, ee yaba ma dukey massa no wookie solo oh oh oh...




Nota - para quem não apanhou a referência...