sexta-feira, 4 de junho de 2010

Ooh Wee!

Sento-me com o meu Pai no muro, os dois em silêncio cúmplice e traquina a papar um Fizz limão.
Era uma questão pessoal, fruto de uma cruzada sem sucesso na procura de um exemplar desse mesmo gelado por tudo o que era café...

... atiçado pela filha mais velha dos meus pais, que me fazia a atenção, o gesto simpático (a cabra) de me enviar uma mensagem todos os dias à hora do almoço a dizer que estava na esplanada a comer um Fizz enquanto eu estava a trabalhar...

o meu Pai rompe o silêncio- o Drogba lesionou-se...

- Eu vi...

e concentramos-nos novamente no gelado, que rapidamente desaparece - a ideia era comer o gelado, não estávamos ali para fazer amigos.

Aceleramos pelas avenidas de vidros abertos, está um calor à-lá sexo na tenda ao sol durante um festival de verão... nem se respira!

(podia ser sexo na tenda à noite com a luz da lanterna ligada... para quem goste de sombras chinesas é hilariante)

E o vento sabe bem despenteando-me as madeixas loiras nos meus longos caracóis...

Despenteando-me ligeiramente a franja.
Aumento o volume do rádio e riu-me - oooooooh weee

e fico em silêncio até voltar o refrão... e em conjunto - I'm hangin' wit the ballers, yeah, or my nigga Ghost /I can tell you what they say haters, if you wanna know... they say- oooooooh weeeeeeeeeee

E dou por mim a cantar em coro com o meu pai -ooooooooh weeeeee

E chegamos ao destino, e fazemos a porcaria do levantamento, três apartamentos por piso, sete pisos e desenvolve-se em mim aquela larica de macho que nos leva a partilhar a ideia que já se mordia mais qualquer coisa, se temos que fazer o levantamento da obra ali ao pé da João Crisostomo... vai-se comer ao Picoas Plaza...

(porque tem um esplanadas e é fresco e...

e...

e tem gajas porra, havia de ser porquê??)

Ou porque nunca tinha reparado, ou porque é recente - vou mais para nunca o ter reparado - encontro à entrada do Fórum picoas a florista - com flores m'enganas

- Hey, quando tiver que oferecer flores a uma gaja... vai daqui, mesmo que não tenha feito nada...

... para a deixar a pensar.

(já tou a chegar ao que quero falar neste texto, calma!)

E pago enquanto o meu Pai se dirige para uma mesa - aquela ali, senta-te naquela, eu fico virado para o outro lado!!

Ele estranha a precisão geográfica da minha escolha, vira-se, vê a loira e sorri, sentou-se como indiquei- porque é um gajo casado e só quer o melhor para o filho.

Sento-me, tiro os Aviator e coloco os óculos à civil e olho para a loira... oh não... FAIL!

- Sabes, isto de ainda não ter graduado os Ray Ban é uma "faca de dois legumes", por um lado posso olhar para as gajas sem perceberem que me estou a rebarbar... por outro lado... eu não vejo um cara... hey, isso é o público?

Arranco o jornal das mãos do meu pai, nunca se pede o jornal, aguarda-se que a outra pessoa o levante para ler, arrebata-se a posse do mesmo e oferece-se um desinteressante suplemento para compensar.

E vejo-a de preto, fazendo o moonwalk entre as mesas...

Sim, era isso mesmo que ela estava a fazer...

...

ok... ela não estava a fazer o moonwalk mas era... digamos...smooth o andar suave e elegante com que a vi surgir, caminhando na minha direcção.
Vestia-se de preto, vestido e leggings pretas, cabelo preto, oculos escuros pretos e uma pele branca a precisar de bronzear, a precisar de um pouco.. um pouco o caraças, a precisar de muita saliva do André para a hidratar nos dias de intenso calor...

Ou de mim para a aquecer nas frias noites de inverno...

Aninhava-me com uma mantinha com ela e... tapava-a toda!

(é agora que vou à parte que interessa)

E ela passa ali tão perto de mim, ela desvia para mim a atenção - eu estava com dois botões de decote abertos na minha fantástica camisa cinza escura...

Adiante...

Ela fita-me, mordisca o lábio - ou então eram gases - e sorri

Eu fico-me a meio de uma frase, desconcentrado.... re-concentrado naquela Deusa-mulher durante todo o percurso que por mim passa até a ver desaparecer - e digamos que lhe ficava muito bem o vestido preto de costas, ali na zona onde terminam as pernas antes de começarem as costas... justinho, apertado... suado... e eu a lambe...

E viro-me para o meu pai e ele devolve-me um cumplice sorriso.

- OOOOOOH WEEEE!!!! viste a mãe dos teus netos???

- Ahah, tu não tinhas mãos para aquilo

- Não preciso de ter mãos, preciso é de ter Pén... hey! tu é que começaste! não precisas de te ir embora!!!

Levanto-me atrás do meu pai, apanho-lhe o passo e vejo-a novamente.

Caminha novamente para mim mas no sentido oposto do meu, caminha apressada mas abranda ao ver-me e sorri para mim outra vez, eu penso- rameira! oferecida!... ganda pega! os teus pais não te...

Eu inspiro-a com força quando passa a 10 cm do meu ombro direito - ela passou mais perto de mim numa praça vazia que o meu pai que caminhava a meu lado, ela quer-me eu sei!, apetece-me raspar-lhe com o mindinho na mão e ter para além da imagem e cheiro o toque dela para me recordar, para não a esquecer, para a parar e fazê-la virar-se para mim...

para me dar um gancho de esquerda no queixo e chamar-me tarado...

(o que me ia por...

quente...)

Calhou o meu pai interessar-se por um sofá numa montra, calhou eu vê-la pelo reflexo da mesma voltar a mesa de onde surgira pela primeira vez, recolher de uma amiga que ainda por lá se encontrava a mala, calhou vê-la apressada retomar o mesmo flutuar sexy e lascivo - hey! o texto é meu! eu digo o que quiser sobre o andar dela porra!

E voltamos ao carro, e abro a porta, levanto para o meu pai o rosto primeiro e para o prédio adjacente ao Picoas Plaza

- Olha, a tua amiga trabalha no Público - diz-me o meu pai a rir-se - vais lá subornar o porteiro com dvd's do jornal da concorrência e descobres o nome dela...

- Eu vou é comprar o público amanhã e vou pensar nela, vou pensar nela com força quando estiver a comprar o jornal... e essa energia vai passar para o dinheiro e esse dinheiro vai para o jornal que lhe paga o ordenado, e ela com esse ordenado um dia, quando estiver menstruada vai comprar tampões, e a minha energia que fiz ao pensar nela ao comprar o jornal vai passar para o tampão que ela vai usar e eu vou estar por transmissão dentro da vagina dela...

Ooh.. Wee!!

Nota- O paragrafo final surgiu para a Jossy Baby - Jossy para mim, para vocês Joss Stone... é uma questão de intimidade e confiança...

Peço desculpa pelo texto, isto às vezes acontece...

Fica a Música... Ooh Wee

Um comentário:

Joana disse...

Gosto especialmente do pormenor do "apetece-me raspar-lhe com o mindinho na mão.."
E obviamente da Música em concreto no final! :)))