quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Gaja Tuga

Confesso, acho a ideia abaixo gira e engraçada.



Mas não conheço nenhuma gaja tuga que assim que recebesse o seu quadradinho não ficasse revoltada com o remetente por não lhe ter enviado o chocolate inteiro.

Quando digo revoltada é a dar para o furiosa.

Violenta.

Bater-lhe à porta de casa para lhe fazer uma vistoria à casa à procura do chocolate.

Isto trouxe-me recordações...

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Eu

Cresci com a ideia que ia ser um dia alto como o meu pai e idiota como o meu cão- era um cocker, chamava-se Peluga porque eu e a minha irmã não conseguíamos dizer Peluza, que era a alcunha do Maradona.. Prometi-me que ia  ser um gajo sempre jovem, recusando-me a ser adulto.
Pensei que ia precisar de dinheiro pró tabaco, pá bola e prá portagem da ponte na volta da costa, ia precisar de arranjar uma profissão jeitosa que ficasse bem às gajas.
Decidi que ia viver uma vida de luxos em crescido, caprichos, viagens e memorabilia da Sarah Beirelles.

(a melhor voz feminina da sua geração)
 
Fazendo assim a modos que um balanço, não tá a correr mal, superei as expectativas no que toca ao idiota,  as minhas e as de toda a gente.


Sucesso.







sexta-feira, 23 de agosto de 2013

The National - Slow Show

Pensou no assunto por um bocado, uns curtos instantes e encostou o carro.
Praça de Espanha pela meia noite, não é dos sítios mais pitorescos para se passear em Lisboa.
Abriu os vidros do carro para conseguir ouvir a música, aumentou o volume.
Sentou-se no lancil e sorriu.
Era estranho estar a saborear a memória de uma recordação de outra pessoa.
Era estranho lembrar-se, sempre que passava ali dos The National e dela, anos atrás como ele... algures naquela zona, sentada com o rabo no lancil do passeio.

"I wanna hurry home to you
Put on a slow, dumb show for you and crack you up
"
 
Batia certo, tinha-se esmifrado, esmerado e aplicado, um espectáculo do caraças.


"You could drive a car through my head in five minutes
From one side of it to the other
!"

Também era relativamente verdade, admitiu.

"You know I dreamed about you
For 29 years before I saw you
You know I dreamed about you
I missed you for, for 29 years"


E a memória era sua, dela a escarrapachar-lhe a coincidência da idade na cara ao som da música.
Mas já não tinha 29 anos... 
A música acabou.
Levantou-se, Sacudiu as calças, entrou no carro e rodou a chave, foi para casa.

Talvez agora, ao passar ali numa noite qualquer, se recordasse do seu rabo e não o dela no passeio, uma memória sua, não dela em segunda mão.


quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Eu

Preciso de alguém que não goste mesmo nada de mim.
Preciso para que opine sobre o livro que escrevo, fica para mim muito difícil perceber se é talento e mestria da minha parte...
Ou se os elogios se devem ao facto de eu ser irresistivelmente encantador.
É um drama que vivo.
É triste.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Acidente

Eu - Ca granda porra, tinha o seguro do meu carro em nome do meu tio supostamente para pagar menos que ele tinha mais anos de carta, mudo para o meu nome e fico a pagar um valor inferior!

Ela - Mas... tu já tiveste algum acidente de carro?

Eu - Dentro ou fora do carro?

Ela - Dentro ou fora??

Eu - Uma vez tava no forrobodó com uma ex dentro do carro e fizemos não sei bem como uma mancha no tablier e aquilo nunca mais saiu...

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Agosto

Chegou-se-me o mês de Agosto, e eu fiquei em desgosto, sem férias a trabalhar.

Chegou o verão e as gaijas todas aperaltadas, tiraram dos armários os vestidos decotados, calções bem curtinhos que dão a pena de ver gente na rua sem dinheiro para uns calções em condições que não lhes deixem o nalguedo com celulite de fora.

Foram vocês todos em romaria para as praias e eu aqui na faina do Arquitectos que ainda escrevo à antiga para não confundirem na vossa mente porca com Tetos.
Trinco uma bolachinha a meio da tarde e sinto-me um caramelo com sorte por ter qualquer coisa mastigar, fecharam-se-me os cafés aqui ao pé e com eles a esplanada com os caracóis.

Chegou-se-me o mês de agosto e com ele a basófia do fifica e a ilusão de uma grande época para os lados de Alvalade... e o Porto já limpou a supertaça num peidinho que foram três, todos na primeira parte.
No meu Telemóvel a que chamei de Jeremias acumulam-se as mensagens dessa gente sem classe e nível que se chamam de meus amigos. A canalhada envia-me fotos deles na praia, nos gelados e na esplanada na minha hora de trabalho, enviam-me com gosto e malícia, com maldade e ternura, lembrando-me do afecto que me têm, da pureza da sua intenção.

Mas este já não é o nosso primeiro tango, já vos topo de gingeira e uma Ginjinha agora caía-me tão bem...
Ide apanhar um escaldão nas virilhas e ficar bem assados, ide comer do marisco estragado e precisar de umas horinhas nas finanças por uma pequena correcção da declaração de IRS que até a minha cadela já foi mais vezes à praia do que eu.


E com isto vou-me em revolta, magoado e sentido, que aqui está abafado, não tenho ar-condicionado e tou com calor.


domingo, 11 de agosto de 2013

Expliquem-me

Porquê que há oito dias consecutivos eu acordo com esta música na cabeça.


Posso me deitar a ouvir Van Morrison, Peal Jam ou a melhor voz feminina da sua geração - Sara Beirelles que acordo sempre sempre com esta música.

Pior, como estou a escrever um livro - muito aplicado, todos os dias com carinho...
Nos últimos dois dias acordei com a imagem de uma das personagens a cantar-me a música.

Aceitam-se/precisam-se explicações.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Memo Romântico- ou exactamente o oposto.

Hoje ao desfolhar o jornal Público do dia anterior no café encontro um artigo sobre Braga.
A foto que alegrava o texto era composta por um casal de namorados que se beijava na esplanada de um café no centro da cidade.
Reconheci a porta imediatamente.
Lembrei-me de estar ali, de pé à espera que ela voltasse.
Lembro-me de ela me abraçar à porta do café e entregar a sua boca à minha.

Lembro-me que demorou imenso tempo na casa de banho e me tinha dito que lhe tinha caído muito mal o almoço.


quinta-feira, 8 de agosto de 2013

O que nos vai salvar

Há muitos anos que digo que, quando nosso deus todo poderoso Galactus o destruidor de mundos surgir para nos julgar...


Ao deparar-se com a merda que fizemos ao planeta, ao encontrar a trampa que fizemos pela ficção científica a que chamamos  de religião.
Ao ver a ganância das fábricas da apple na Ásia e os putos a morrerem esfomeados em África.
Ao ver a margem sul e condenar-nos à destruição...

A única esperança que temos em nos salvar para além do golo do Kelvin ao fifica, para além de lhe mostrarmos a cena awesome que é o bar aberto e gajas de psicologia...

O que nos vai talvez salvar é a música.

Quando enviarmos o nosso emissário, Chris Hemsworth - ele é tão dreamy... aqueles ombros dirá Galactus perdido nos olhos azuis do Thor- o representante de toda a humanidade para implorar clemência e perdão a Lord Galactus com uma BoomBox...

É meter esta música e deixar o Galactus entranhar.


( e esconder os coldplay )

E caso ele ainda esteja na dúvida- Margem sul pesa muito contra nós. - é puxar a carta Stairway to Heaven para cima da mesa enquanto o Chris tira a camisa e...

Talvez haja salvação.


Nota - Na colecção Grandes vozes americanas do Jornal Público, encontrei este trecho no livro da Billi Holiday da autoria de Eliete Negreiros.

- Sobre isso, sobre o modo como a arte transcende a vida, gostaria de lembrar um trecho do grande romance de Jean Paul Sartre, " A Náusea". Num determinado momento, Roquentin, o protagonista do romance, um sujeito que procura o sentido da vida e se sente aprisionado na mediocridade do quotidiano, através da música consegue transcender o absurdo da existência.
E é a ouvir um disco de uma cantora negra a cantar jazz que isto acontece: quando ele ouve aquela voz a cantar "Some of these days", provavelmente Ella Fitzgerald (que não é mencionada, mas foi quem gravou de modo ímpar esta canção), percebe a existência de uma outra dimensão: quando a música toca há encantamento, há uma intensa emoção, há uma comoção estética: há uma outra felicidade(...); há um outro tempo.


E para terminar...



terça-feira, 6 de agosto de 2013

Eu

Gosto quando passo em zonas de restauração em superficies comerciais de olhar fixamente para alguém que esteja prestes a dar uma trinca.

O rosto corado, o engasgue, a vergonha e atrapalhação...
Sabe-me pela vida.

Gosto muito.