quarta-feira, 29 de junho de 2011

Notas Soltas - Edição Ex's

Primeiro a sério - o quão pouco nos custa hoje desfazermos-nos de um simbólico, quiçá importante/prenda de uma ex quando era um drama deitar fora um guardanapo que com afecto guardamos.
E hoje atiramos para o lixo sem a menor hesitação ou emotividade.


-


Quando nos perguntam se a Crazy Ex tem dado noticias e respondemos - qual delas?

Algo falhou no descernimento de um homem...

( e começa a ser um padrão...)

-


Um homem deve evitar, na presença de familiares ou amigos, na presença de uma ex que nos tenha visto desnudados e ... em toda a nossa "glória" ou "esplendor", fazer piadas sobre o épico, monumental, avassalador e bem intencionado tamanho da "ferramenta de trabalho".

Se ela responde - era isso mesmo... querias...

Um homem, despeitado, vê-se obrigado a fazer prova do que afirmou...

... e há certas coisas que os pais/familiares/amigos não precisam de ver à mesa.



(true story...)



segunda-feira, 27 de junho de 2011

Marrocos - Top 5

E a saga continua...

até aqui.

Percebo que depois de terminar este texto vai ficar a sensação de vazio, que podia fazer um reboot e aplacar os fãs, fazer uma série spin-off ou lançar novas linhas de merchandising... mas sinceramente tenho mais que fazer ou escrever e o meu objectivo foi sempre despachar conversas com- lês no blog da viagem - e partilhar com o mundo o nº1 deste fantástico top 5.

Adiante.


Nº1 - Jacob.

Jacob era o gato, 4 meses...

Pera, comecei mal, eu queria começar este texto de outra forma...

(vasculho os gatafunhos onde esquicei esta trampa)

(Coff coff, take 2)

-

Toda a gente sabe que André de Sousa Real gosta mesmo é de Cães e Porcas.

Cães por tudo o que represent... pera, se explico os cães tenho que explicar as porcas, e não me ficava bem falar assim das ...

...

Piada fácil.

...

Nunca percebi porquê que os gatos gostam de mim, gostando de animais em geral, sou claramente partidário de cães por oposição a gatos, mas a porra dos gatos gostam de mim, demasiado.

Jacob, era a peste de 4 meses, um portento de vitalidade e mau feitio que se afeiçoou à minha pessoa e teve o cuidado e afecto de vincar a unha a sua presença quando tinha um ataque de ternura...



E a besta depois vinha ron-rar para ao pé de mim, aninhar-se no meu peito quando me deitava para dormir indiferente ao facto de eu ter as mãos todas arranhadas do convívio com a sua dócil e ternurenta criatura



Na última noite, estava deitado e oiço um suave arrastar à distância, a coisa de 4 metros de onde me encontrava.

Lanço a mão ao telemovel, e milésimos de segundo depois o flash ilumina o espaço e o que vejo?




Segundos depois estava a tira-lo da minha cara.
Porque ninguém me mandou ter as mãos tapadas, no fundo, a culpa é minha.


E com esta relação abusiva - que diz muito da minha relação com a ex no sentido de eu lhe chamar o melhor de marruecos - termino o top 5.



Nota - numa noite em que estava a dormir no covil do Jacob, quando vou ao wc reparo que a dona deste - por uma questão de sobrevivência - tinha fechado a criatura na casa de banho.
Coisa que os gatos gostam é de estar fechados.
Por questões de segurança fiz o que era suposto fazer de pé... sentado.





domingo, 26 de junho de 2011

GPS



Era um plano simples.

A ideia fora dela, uma boa ideia.
Partia ela primeiro bem cedo com os pais, despachava as cerimonias e o convívio familiar do baptizado do primo, ele acordando coisa das 10h conseguia às 11h estar na obra e uma hora depois estar a caminho da casa de praia onde era suposto se encontrarem.

Onde era suposto passar o fim de semana com ela, com os pais dela e baby bro dela a quem carinhosamente apelidara de Humungos.

(e sempre que o Humungos saia da sala ou de onde se encontravam, repetia a hilariante piada que só o pai dela percebia- just walk away... just walk away...)

Acontece que o plano era fofo e deveras catita não fosse o pequeno senão de ele não fazer a menor ideia de onde ficava a casa de praia para a qual fora convidado.

Ela resolveu o assunto com- até aqui é fácil - disse-lhe apontando para o mapa no ecrã do portátil - mas para ter a certeza que não te perdes, e deixa de ser teimoso, levas o meu GPS, eu à noite meto os dados e depois sexta dou-te... não é negociável!.

Resignou-se.

Chegado o dia, como homem macho que era, disse que tinha tudo controlado em vez de perguntar como funcionava o aparelhometro ou ver as instruções antes de perguntar- mas porquê que esta merda não liga?

Cinco minutos depois de uma reprodução do 2001 odisseia no espaço, conseguiu por a coisa a funcionar.
Ligou o carro. Saiu do estacionamento e fez-se à estrada.

Plin - " a 50 metros, vire à direita."

- Eu sei sair da minha rua!

Pensou para si mesmo- podia desligar isto até chegar à saída da auto-estrada... escusava de ouvir esta mula as duas horas de viagem... mas também é sempre a direito ela deve tar caladinha a maior parte da viagem.

Secretamente sabia que o receio era não conseguir ligar o GPS outra vez.

Ligou o rádio e olhou para o relógio, aumentou o volume - " transito cortado na avenida..."

Merda.

Tinha que improvisar.
Guinou para a esquerda e acelerou, meteu-se pela direita e mentalmente organizou o plano de fuga para chegar à ponte.

Plin - " a 20 metros, inverta a marcha"

- deves, e não saía daqui

Passou a barreira dos 20 metros

Plin - " a 30 metros, inverta a marcha"

- Já te ouvi

Ignorou, fez a curva e ficou com a ponte à sua frente, triunfo épico! estava de parab...

Plin - " a 50 metros, inverta a marcha"

- Mas estás estúpida? eu já estou na ponte!!!

Plin - "recalculando"

- Vês? agora caladinh...

Plin - " a 1200 metros, inverta a marcha"

- Desculpa? eu não vou a Almada para voltar para trás só para... - Suspirou- Tás a fazer conversa com um GPS...

Plin - " circule pela direita, a 300 metros, inverta a marcha"

Não estava a correr bem, primeiro como tinha o GPS, não se dera ao trabalho de dar uma vista de olhos no mapa para se orientar quando saísse da auto-estrada até casa dela, segundo a gaja não se calava com a merda da inversão de marcha, e para estragar a coisa... a voz da gaja do GPS era desconfortávelmente semelhante à ex quando se irritava e queria não parecer alterada, baixava o tom de voz até ficar asséptico, só lhe faltava o plin! antes de começar a falar e era igualzinho!

Plin -"inverta a marcha"

Plin - " a 1500 metros..."

Onde é que tinha o telemóvel? porra, estava na mochila no banco de trás!! ia ter que parar numa estação de serv...

Plin - "a 400 metro..."

- CALA-TE FODA-SE!!!! já não te posso ouvir!

Plin - "recalculando"

Plin - " tu não me respeitas"

Plin - " agora escusas de inverter a marcha na próxima saída a 200 metros"

Plin - " és uma besta"


sexta-feira, 24 de junho de 2011

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Os meus sinceros votos

Fiquei na dúvida se publicava algo aqui sobre o meu ex treinador nesta hora de pesar e luto emocional.

Nick Hornby disse algo do género- gajas vão e vêem mas o clube fica... acompanha um homem a vida toda.

Eu disse aqui uns meses atrás a seguinte frase- "Um homem deverá ser sempre incondicionalmente leal e fiel aos Filhos, ao Cão e ao Clube de Futebol.", ver alguém trair este principio mexe comigo, mas tropecei numa frase num fórum que resume totalmente o meu pensamento e são uma síntese dos meus sinceros votos sobre o assunto e a pessoa em questão :

"espero que o John Terry vá lá jantar a casa muitas vezes..."


Nota - para quem não percebeu a referência, o Terry, homem casado e capitão do seu clube e da selecção do seu pais - gajo a quem era pedido dar o exemplo, andava a comer a mulher de um colega de equipa, emprenhou a gaja se não me engano e aquilo foi uma bonita novela de vão de escada.

Marrocos - Top 5



nº2 - Mesmo a despachar, a resposta é - piscina!









Não tinha fato de banho mas... 40 graus secos... ia dizer que não.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Marrocos - Top 5



Vamos adiantar a coisa que eu quero mesmo é falar do nº1 e despachar a viagem aqui no blog "el puerto bleu", o meu blog de sonho- a preço não negociável.

nº3 - é simples e directo, não é preciso uma grande história, em terceiro surgem os livros que li na minha estadia em Marruecos, dos quais gostei, um pela linguagem e estilo de escrita, o outro porque é um dos meus escritores favoritos.




Sobre o livro do Sepúlveda, longe de ser o Velho que ria romances de amor ou outras obras mais conseguidas, o estilo da escrita é sempre um bom companheiro de viagem.

O segundo livro é o conhecido Viagem à Lua de Júlio Verne.


Simplesmente fantástico.

...e o livro tinha aquele cheiro a livro velho que é simplesmente mágico.

sábado, 18 de junho de 2011

Marrocos Top 5

nº4 - Se há coisa em que sou bom, muito bom... tipo um Deus, é a provocar silêncios desconfortáveis.

Pratiquei o fenómeno durante anos, com namoradas, amigas - no homo, familiares e eventos sociais.

Primeiros 5 minutos em Marrocos e bato o meu Récord.

Quando me carimbam o passaporte oiço a multidão explodir. As paredes do Aeroporto tremem com os cantigos, a revolta e sinto uma apreensão no ar.
À minha volta rostos assustados e confusos e um excessivo numero de policias.
Não vejo onde está a multidão em fúria mas percebo que me aproximo quando me dirijo para a saída, onde me esperam.
Um último controle da policia - foram 4! ao todo, e estou diante da porta que dá ligação ao hall de recepção do Aeroporto- o equivalente à porta da rampa no Aeroporto de Lisboa.

A dois metros da porta a multidão recomeça com os cânticos e dou por mim a pensar - eh pa, isto veio muita gente para me receber... não era preciso virem todos...

A porta abre, eu avanço sozinho.

Paro, perante mim vejo mar de gente que se vira na minha direcção, levanto os braços e ao som da música grito- aaaallez allez PooooooooooOOOoooorto! aaallllez PoOorto...

Braços no ar, em triunfo.

Fez-se silêncio.

Ainda hesitei em começar com MAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAaaaaaaa... ri-ano gonzález... e arrependi-me de não me lembrar da música do Tarik sektioui...

Sorri.
E sai de fininho pela direita.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Marrocos - top 5



Este é o primeiro texto em que arrebanho, organizo, e hierarquizo o que de positivo aconteceu na viagem.

nº5 - Não sei o que provoca, porque em nenhum momento foi por minha iniciativa, mas em todos os países que visitei - excluindo França onde estive de passagem, tempo suficiente para um evento que posso um dia se me lembrar partilhar aqui - deu-se o acaso de aleatoriamente fazer um amigo através de uma conversa aleatória de futebol.

Em Buenos Aires estava sentado à espera do meu Bife, momento que aproveitei para escrever a catrafada de postais que ia enviar para a Mãe Pátria quando o empregado me pergunta de onde sou, respondo que sou de Portugal, ele diz-me que é fã do Lucho, se o conheço... eu atiro-lhe "el comandante" e uma hora depois eu arrotava - silenciosamente - o bife e tinha um amigo.

E convite pá bola nessa noite.

River vs Argentinos Jr. ( ficou 3 a 3 o jogo)

Em Miltenberg, na alemanha, estava sentado a beber uma Faust num bar durante um Bayern vs Speohahueoasberg da 5 divisão e - não me lembro do nome da outra equipa confesso - quando o o Bayern falha um golo no ultimo minuto eu reajo e o gajo ao meu lado diz-me - quase pá, foi por pouco - em alemão, ele percebe que não percebi e pergunta-me de onde sou, o barman entra na conversa e começaram a vir as canecas king size totalmente grates aqui para o Je.
40 minutos depois fui alcoolizado para casa com mais dois amigos a registar.

Aconteceu no Paraguay porque procurava umas meias horrorosas para trazer de prenda ao meu irmão e quiseram-me vender uma camisola do Cerro Porteño.

Aconteceu no Brasil, em Espanha, em Milão no bar magenta - onde o Roberto, fã do Milan, me ofereceu o copo da cerveja que também bebi de graça.

Voltando a Marruecos.

Estava em Marrakech, tinha despachado um dos meus minions para ir trocar a camisola que me tinham... tentado dar o barrete - clássico marroquino - já que a moça fala árabe e eu não, quando um vendedor - com cartão e pagina web - me pergunta de onde sou, respondo.
Ele diz-me - oporto, bonne equipe... falcao... mágnifique! e gesticula o voo do Falcao de cabeça na final da liga europa...

E fez-se magia, comprei-lhe no fim dois camelos feitos em pele por ele a preço simbólico- menos que um café em Portugal- para oferecer ao BFF e ao Noivo da mana.

O sueco que entrou na loja a seguir abusou de mim como tradutor, também teve desconto.


quarta-feira, 15 de junho de 2011

Relatos do Magreb - Pensamentos aleatórios I

Na pressa de sair de casa a tempo para o check in like a boss, empanturro-me de Café e como pouco em proporção, fica-me a trabalhar no estômago.

Trinta minutos depois da descolagem, vitima de uma feroz bolsa de ar, dá-se " uma descompressão de ar total e involuntária".

-


Sai do carro acompanhado e fiz impacto.
Mais pelas três mulheres deveras aprazíveis à vista que pelos meus jeans e a camisa a cheirar a grelhados em marrakech...

Passamos pela fila directamente para a porta e ao entrar diz-me o mastondonte de blazer e auricular sobre a minha entourage - és um homem de sorte... glamour...

Aceno com a cabeça em concordância sorrindo e respondo-lhe em português - se visses como três mulheres me deixaram a casa de banho do hotel acabava-se o glamour todo...

-

Na ausência de fato de banho e perante a presença de uma fantástica piscina, indiferente à opinião pública e ao bom senso atiro-me em mergulho vestido de calções de desporto, os que uso para correr.

Molhados o tecido cola-se ao corpo justo.

Ao sair da piscina perante as três senhoras que me acompanham...

Foi um grande dia.


terça-feira, 14 de junho de 2011

De volta.


Só parei agora.

Ficava pretenso cosmopolita, tipo viajante ou colunista de esquerda que esparracha e atira tudo o que é nome de cidade ou escritor que leu e no fundo lhe embruteceu o espírito mas que lhe afaga o ego ao citar, como se isso fosse uma valorização de si mesmo.

ca porra de paragrafo para começo, mas adiante...

O que quer dizer é que ficava tão cliché começar com - almoço em Casablanca, um kabhis com ahsiiaiuf e oiass, bebo de um aqwuiias e coisassedeq - e ficava tudo a pensar no exotismo da coisa, mas não, vou escrever sobre a viagem mas sem dessas paneleirices pretensiosas.

-

Depois do almço parei o carro numa estrada de terra totalmente intransitável - ao ponto de fugir para um campo de cereais com o carro para conseguir andar em linha recta . Parei o carro e não sei onde estou, talvez 50 km de Casablanca, coisa de 15km do aeroporto para o qual me começo a atrasar.




Faltava-me uma prenda para o meu tio.

Estão uns simpáticos 37 graus secos.

Estou suado, sujo e desisti de limpar os óculos de sol dois dias atrás.
Estou feliz e bem disposto. Almocei bem.

Avanço para o estabelecimento onde procuro encontrar tabaco, tabaco marroquino.

Passa por mim um burro e a sua carroça. O bicho fede, um puto na carroça com uma camisola do barcelona ri-se desdentado.

Ironicamente o meu tio... prendou-me ao longo dos anos com inúmeras camisolas do barça ao ponto de hoje as contar e serem 8.

E eu com um sorriso pela ironia do momento.

Mais tarde, regressado à mãe pátria, regresso que ambicionava ansioso, dou por mim satisfeito em casa com os meus mas não me apetece ficar parado, por ali, sem sapatos a anhar no sofá e após um jantar em familia, são 04h e acabei de chegar da MJ e da sua companhia nos X-men com a joss stone.

Amanhã vou começar a partilhar tudo o que de idiota me ocorreu na viagem e apontei, também o que me lembre que ainda não tenha escrito.

Agora vou meter o Cohen porque não me sai da cabeça a música...

qualquer coisa como - Dance me.. to end of love...



quarta-feira, 8 de junho de 2011

Caraças pá.

Estou em casa de uma amiga da Joana com a Joana (e a amiga dela já agora, dava jeito). A primeira coisa que me dizem é para me comportar porque tenho um passado de más opções e gestos deveras inconvenientes envolvendo animais não necessariamente domésticos.

Primeiro refilam que não ligo nenhuma ao gato e o panilas tá há uma hora a pedir-me mimos.

Depois espirro.

Oferecem-me um lenço.

Digo não obrigado porque já tenho o gato ao colo...

e eu é que estou mal nesta história???

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Tu é que perguntaste - IV



Sentou-se na mesa e tirou o casaco, sorriu e disse:

-Tenho uma pergunta para te fazer!

- Não estás de decote, não precisas de fechar os braços a proteger o peito, tens que perder essa mania sempre que me perguntas alguma coisa e eu estou sonolento e não tenho ido ao cinema nos últimos 10 dias portanto... pergunta.

- Em quem votaste ontem? - abriu os braços retraindo-os quando o viu por piada insinuar que levava as mãos à frente.

- Calma mulher, estava a brincar... votei no partido do Rocky...

- No partido do rocky? não tinhas dito que pensavas votar no PAN?

- E votei, estava indeciso mas ao pé da minha rua vi que estavam quatro cartazes do PAN alinhados e lês PAN... PAN PAN PAN... óbvio que tinha que votar nos gajos!



True Story #6







Com um grande bem haja à sra das bolachas com leite que me mostrou o vídeo.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Censura, porque também é preciso.

Escrevi um pequeno texto pessoal, emotivo e... muito panisga.
Públiquei o texto, comi um corneto, tirei os ténis, um téni de cada vez e antes de recomeçar a desenhar vou - porque sou um gajo muita lavadinho - lavar as mãos.

Olho-me ao espelho e...


E antes que me confiscassem a licença de Heterossexual censurei o texto.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Piano

Acordei pela insistência, atendo sem abrir os olhos e sou surpreendido com - "aposto que te acordei... sai da cama! duche e desces que tou aqui em baixo parada à tua espera... e é bom que te despaches ou começo a tocar à campainha de tua casa e acordo-te a casa toda...

Contrariado, revoltado, sonolento e lavadinho, sento-me ao seu lado no seu carro.

- Foste correr? - pergunto-lhe, ela responde-me que sim e arranca sem que eu tivesse tempo para por o cinto - não sabes que quando estou a dormir, e eu estava a dorm...

- É sagrado eu sei, sei que a esta hora, pelas horas a que foste dormir ontem, a Madame só podia estar a dormir... sim sei, e? apeteceu-me, apeteceste-me, há problema? U mad?

- Y U no let me sleep?

- Seco, olha Endra, de tua casa à Cidade Universitária? cinco minutos "al dente", tinhas mais uma hora de sono se tivesse ido a casa passar-me por água e te apanhasse depois mas... tinha que andar para trás e para a frente e daqui a pouco... tu conheces a Praça de Espanha a esta hora...

- Continuo sem perceber o teu plano.

- Eu tomo um duche rápido, tu esperas por mim na sala e é só descermos, práctico e eficaz.

- Não era mais fácil combinarmos uma situação em que eu ia ter contigo...

- E tu saías da cama? POUPA-ME!!

Esperneio, esconjuro-a, revolto-me em indignação... e ela sorri.

Cabra.

Atiro-me para o puff sem estilo, classe ou ergonomia.

- Não fui eu que te ofereci esta coisa? pergunto-lhe quando a vejo atravessar de tolha na mão do quarto para a casa de banho.

- Sim, e foste tu que o rasgaste duas vezes... e ele tem uma mancha na parte que está para baixo que não sai... que também foste tu que fizeste e ainda não percebi nestes anos todos o que é... enfim, clássico André, a manchar-me coisas desde 1981.

Ingrata.

Acha que é fácil, acha que é qualquer um que atinge um patamar e...

...e desde quando é que ela tem um piano na sala?

Empurro o puff para me levantar primeiro com as mãos- que se afundam - e depois com as costas.
Empurro com as mãos e com as costas e estico o pescoço e continuo no mesmo sítio.
Isto começa a ser ridículo...

Estico as pernas, rebolo para o lado e ...vitória! estou livre, que deus! sou buéda esperto...

(suspiro-me em vergonha)

Sempre gostei de pianos de parede.

Sento-me e levanto o tampo.
Passeio os dedos sobre as teclas e concentro-me na Valsa dos Detectives dos GNR. Fico momentaneamente orgulhoso com o resultado.
Arrisco a #41 da Dave Matthews band, só um cheirinho e tenho o Ego a pedir colinho que já está cansado e hoje foi um dia em cheio.
Oiço a água parar de correr e salto do piano para o sofá como se tivesse feito uma asneira.

Vejo-a aparecer de vestido preto, vejo-a corar quando me diz- " são mais 30 segundos que me esqueci de vestir uma coisa..."

Eu respondo que já está vestida, ela devolve-me que o bikini tem duas peças e ela só vestiu a de cima.

Eu fico a remoer o assunto, ela sabe que fiquei bloqueado na ideia quando volta e num tom ostensivamente forçado me pergunta- está tudo bem? estás pronto?
Chamo-a com o indicador e com o mesmo aponto para o sofá, para se sentar ao meu lado.

Mantendo a personagem, concentradíssima no papel de jovem púdica quase por estrear, senta-se na ponta do sofá ao meu lado, suave e delicada, joelhos juntos e mãos uma sobre a outra sobre os mesmos. Fita-me de baixo para cima pestanejando rápido e exageradamente.

- Sim? o que me queres Ru-ru... ou Dé? preferes que te chame Dé-dé? o que achas mais fofo?

Suspiro-a em ódio. Gesticulo duas a três vezes sem conseguir dizer o que quer que fosse.

- Vais à praia?

- Tu é que tens que trabalhar meu querido, aqui eu... vou passear o corpinho pá costa! - diz e aproxima o indicador do meu nariz, saltando com a mão para trás depois de lhe tocar.

Nunca percebi a graça de tanta gente diferente, países e continentes vários, culturas e religiões... um movimento de universal comunhão do ser humano que se diverte em esfregar na minha cara que andam a passear enquanto eu estou a trabalhar.
Não tem piada nenhuma - nunca me ri.

Aponto para o piano.

- O que foi? ah, foi uma prenda da minha mãe quando voltei, tu sabes como é que ela é comigo...

- Eu gosto, fica bem na tua sala, pena não saberes tocar... continuas a tocar guitarra? se calhar é melhor irmos que já tou com uma larica...

Levanto-me e avanço para a mesa, pego na carteira e outros pertences.

- Então? não vens? a ideia de irmos ao pequeno almoço foi tua...

Vejo-a olhar para mim e depois para o piano e depois novamente para mim.
Depreendo que se encontre a ruminar uma ideia, morde o lábio e eu já sei... its ooooon baby, its on!

Levanta-se, ajeita o vestido e fita-me de lado.

Em passos pequenos vence a distância do sofá ao piano e levanta o tampo do mesmo - que eu tive o cuidado de fechar, deixar provas ou vestígios que me incriminassem depois era muita maçarico.

- Sabes... - diz-me e toca uma escala - eu em Barcelona - pressiona dramática três vezes e recupera a ligeireza suave dos dedos - fiquei a morar com mais pessoas, uma das quais era uma Checa, ias gostar dela, loira alta... falava imenso... - nesta altura não reconheço o que toca - quer dizer, menos na parte de falar imenso apesar de não perceberes o que dizia, o que já não era nada mau... enfim, adiante, ela por sorte, estava a estudar música... dava aulas para fazer dinheiro e tocava harpa, piano e mais uma catrafada de coisas... eu disse-lhe que sabia tocar guitarra - reconheço a 4 to 20 da Joss Stone e sento-me ao lado dela diante do piano - quer dizer, achava eu que sabia tocar...
Estive três anos em Barcelona, dois dos quais vivi com ela... they say time... wait for no men... and neeeeeither doest the woooooo-man... confesso que não sou croma, aprendi a ler pautas com uma certa facilidade e quando gosto da música tento decorar para a tocar quando me apetece... o que te apetece ouvir? pode ser que saiba...

- Run for the hills... Iron maiden...

- Estúpido - desengonçou a melodia até parar dando um efeito dramático ao estúpido. gostei.

- Atão? mostra-me o que sabes! surpreende-me!

- Mais do que tenho feito? - inclina o corpo para mim e beija-me rápida no rosto...

- "You and me we're goin' nowhere slowly... And we've gotta get away from the past - oh mon dieu!... - There's nothin' wrong with goin' nowhere, baby...But we should be goin' nowhere fast"- e eu lembro-me de numa terça feira lhe dizer que bom mesmo era estar na praia e rapidamente fugirmos do bar da faculdade e zarparmos para a costa... para apanharmos duas horas de pára arranca e a música bombar na rádio connosco parados em pleno tabuleiro da ponte... epic fail.

- Agora a parte que tu gostas.. And I don't know where I ever got the bright idea that I was cool... So alone and independent - e eu canto com ela como uma pita histérica nos bons ( ???) velhos tempos do... whispers (tou velho) - But I'm depending on you now... And you'll always be the only thing that I just can't be without... And I'm out for you tonight...I'm comin' out for you tonight... eh pá isto é tão creepy!!! estás satisfeito? - abranda o ritmo e altera a melodia para the shape of things to come - esta foi a última música que me mostraste antes de eu ter o meu mega ataque e deixar de falar contigo na véspera de me ir embora... acho que foi a segunda música completa que aprendi a tocar.

- Qual foi a primeira?

- Não digo! tenho vergonha...

- Vá lá! qual é o problema? e desde quando é que tu tens vergonha comigo?

- É a que te apanhei uma vez a cantar no banho quando ficamos a dormir na casa da...

- SLEEEEEEEEEEEEEEEEPING IN MY CAR... I WILL UNDRESS YOOOOOOOOOOOOOOOOU...



Nota - o momento alto do texto é a referência ao mítico Whispers.
Fez-me sentir para lá de velho, ancião.

Sim, a Sleeping in my car é a música que canto no banho.

Em breve.





Em breve, eu.