sexta-feira, 25 de novembro de 2011

A um porto Azul...


- O texto que se segue é extenso e um bocado a dar para o pessoal, como tal a direcção de A um porto azul recomenda a leitura de outros blogs em alternativa enquanto este for o último post apresentado -


Deslizo os dedos pela gola da camisa à volta do pescoço, ajeito a gravata, o cabelo.
Contemplo o meu reflexo no vidro da porta enquanto a espero no hall de sua casa.

Não me recordo da última vez que me vesti de fato.

Também não sei dizer há quanto tempo não lhe ouvia a voz, não a via.

Demasiados anos passaram desde então.

E eu...

Eu ainda não acredito que estou aqui, à espera dela.

Oiço-a descer a escada, viro-me para a ver chegar.
Sinto uma ligeira ansiedade a crescer, um pouco de nervosismo que estranho em mim.

Vejo-lhe um pé, subo a vista pelo tornozelo para a perna e depois vejo o outro pé, subo por este também deparando-me com a continuidade exposta da sua perna pela entreaberta ( e muito agradável ) racha do seu vestido ...

Saboreio a imagem, o contraste do preto do tecido com a pele, subo para as ancas... o peito e...

E...

...morena?

Ela abre o rosto num sorriso.

Eu continuo em choque.

Ela aproveita-se do meu momento de desnorte, à deriva na sua imagem tão negra, tão diferente da mulher que anos atrás...

Ela rodeia-me o pescoço com os braços, beija-me delicada nos lábios sem aprofundar o assunto e aterra o corpo no meu, ficando.
Não sei o que lhe dizer.

Perco-me na sua presença com gosto.

O seu cheiro... o seu cheiro tão familiar.
Sinto que cheguei quando a abraço e o tempo ficou parado - respeitoso e simpático - à espera de nós, com licença e ordem para demorar.

Inspiro-a uma, duas, perco a conta das vezes.

Ela afasta-se, desliza do abraço as mãos para o meu peito.

- Olá André...

E eu quero... não, eu derreto-me... rendo-me quando oiço aquela voz... tão antiga e tão minha, tão parte de mim.


- Quem és tu? - respondo, desfiando nos dedos uma tira do seu cabelo.

- Morgana...

E desfaz-me com a subtileza e graciosidade da piada.

Empurra-me para a porta, dá-me a chave do seu carro para as mãos.

Pergunto-lhe se não podemos levar o meu, ela diz-me que não, que o dela é parte do plano.

Eu pergunto-lhe qual é o plano sendo a resposta dela apenas e somente um enigmático sorriso.

Flutuamos pelo piso molhado, não sei para onde vamos.
Sigo-lhe as indicações intranquilo e desconfiado até estacionar.

Aconchego-a nos ombros dentro do casaco.
Ela dá-me o braço com o seu.

Descemos para os Restauradores em silêncio, pouco antes do antigo cinema Éden, atravessamos para o lado do Condes.

- Como está o teu Italiano André?

- Confuso... porquê?

- E o teu Espanhol?

- Patético, mas porquê?

- E o Francês?

- Esse vai bem e recomenda-se, mas afinal porquê qu...

- Porque vais precisar deles todos e eu quero fazer boa figura.

Óbvio que não me explicou porquê que eu ia precisar de todos nem para onde íamos, mandou-me ficar caladinho e eu calado fiquei.

Contornamos o Condes, descemos para o Ateneu., seguimos para a direita
Ela deixa cair a cabeça no meu ombro, pergunta-me:

- Mas que raio de perfume é que tu tens? essa porcaria cheira tão bem...

- António...

- António?

- António Banderas...

Ela pára, fazendo-me parar. Coloca-se diante de mim e pergunta- Estás a falar a sério?

Ao qual eu respondo - Estou, comprei só para fazer esta piada quando me perguntassem.

Vejo-a atirar a cabeça para trás, rindo,respirando, voltando a rir, recuperar a respiração  - Diz isso outra vez... com essa voz à Antonio Banderas!!!

- Solo para ti cariño...

E eu vitorioso, triunfante ao vê-la rir.

- Caramba mulher, pareces tu... mas não és tu assim sem... sem o teu loiro..

- Eu sei...aproveitas e... olha, tens até ao final da noite para seduzir uma mulher parecida, mas diferente.

- É esse o teu plano?

- Oh André! caramba... olha que ao contrário dessa camisa... ingenuidade não te fica bem.

Eu fixo-me no elogio, parece que afinal a camisa me fica bem... ela puxa-me para si, não pelo braço, abraçando-me em redor da cintura.

E eu abraço-a também.

- Para onde me levas mulher?

- Para a Casa do Alentejo, queres melhor sitio para entrar triunfante contigo nos meus braços?

- Assim de repente não...

- Eu sei um ou dois, óbvio, uma mulher pensa mais nestas coisas... chegámos!


 
(Casa do Alentejo)


Ela retira do casaco dois convites que entrega à entrada, entramos e o casaco desliza-lhe pelas costas.
Subimos nem meia dúzia de degraus quando a chamam pelo nome.
Sou apresentado, Ela sorri.

Subimos mais uns degraus e somos abordados de novo...

E outra vez, e outros degraus e mais gente e gente que faz questão de a cumprimentar.

Finalmente, chegados à fonte e ela foge-me da mão para abraçar quem segundos depois me apresentou pelo nome de Helena, de frankfurt.

Ela traduz-me o prazer da Helena em finalmente me conhecer, eu respondo sem tradução com um sorriso  - Danke! e seguimos Casa do Alentejo dentro.

- Danke?? queres-me contar alguma novidade!!

- Não... a alternativa era ter respondido Milch Kaffee, mas tirando pedir o equivalente a uma meia de leite em Alemão não sei muito mais


 
( Fonte na Casa do Alentejo)

Sinto-a tocar-me no braço a meio do jantar, sinto-a aproximar-se para partilhar uma confidência.

- Outubro de 2007, no meu dia de anos.

- O que tem?

- Foi a última vez que nos vimos...

Ela afasta-se, retomando a conversa que interrompera por uns segundos, deixando-me no peso do tempo que não me ocorrera contar...
Tanto tempo? tantos anos assim?
E o dia... todas a recordações que subitamente me invadem pela sua da precisão na data.

Consigo encontrar na memória o detalhe de como ela tinha o cabelo preso nesse dia, como estava vestida, o detalhe de como me sujou a camisa com o bolo de chocolate do seu aniversário... ou como sujou o gato com o bolo também... e as calças da mãe...

e o candeeiro do quarto...

- O que foi André?

- Estava-te a ver as rugas... fiquei a pensar no que me disseste...

- Claro que ficaste, faz tudo parte do meu plano!


E eu tão perdido sem saber qual é o plano.

Foram anos de silêncio, de distância entre nós quebrados hoje pela sua chamada, pelo convite a que não consegui resistir- "André? Olá! sim, sou eu...Aterrei há coisa de 15 minutos, ainda estou meio trocada, mas...veste-te, fato e... em minha casa às 19h30? antes que digas que não tenho só uma coisa para te dizer...-  Porquê que demoraste tanto tempo?"

E desligou...

Fora o suficiente.

A única frase, dita exactamente pela única pessoa que se a dissesse eu não tinha como oferecer resistência.

E ela sabia.

Se calhar, isso era parte do plano...

Antes da sobremesa vejo-a abrir a mala, retirar um envelope que me depositou nas minhas mãos.

- Vê

- É o teu maquiavélico plano por escrito?

- Vê...

Abro o envelope, a folha dobrada que deste retiro protege uma fotografia.

Fico estático, fico quieto, não me lembro se respirei ou quanto tempo passou até a ouvir perguntar se reconheço onde ela está na fotografia.

- Não me lembro do nome da rua...

Ela sorri triunfante quando percebe que sei exactamente onde é, onde está na imagem.

- Esta foi a rua ... foi aqui que me sentei quando te escrevi o postal que te enviei de Buenos Aires... neste banco onde tu estás... eu lembro-me que ... eu consigo ir ter a este banco, é só atravessar a Avenida 9 de Julio para o lado da Opera, vais para o lado direito do obelisco e...

- E sentei-me aqui uma hora André antes de te tirar esta fotografia, Acho que chorei metade do tempo.

- Quando?

- Há dois anos, mas passei nessa rua todos os dias nos últimos quatro anos, a minha casa era mais adiante perto da embaixada de frança...


(A Rua em questão, Buenos Aires)


- Perto do jardim?????

- Sim...

- Afinal estavas em Buenos Aires estes anos todos...

E ela deixa-me só com a sua imagem.

Guardo o envelope no meu casaco, sem lhe perguntar ou pedir autorização beijo-a no rosto.

Ela procura-me a mão debaixo da mesa e entrelaça os seus dedos nos meus.


Fecho o meu casaco, levanto as golas e aguardo que ela vença a distância da Helena até mim, o que faz num elegante saltitar de saltos meio em corrida, meio o chão tá molhado e vou cair e perder a postura de classe e glamour que passei a noite a criar...

- A confusão que me fazes morena...

- A confusão que me fazes com esses óculos André, com essa barba por fazer, com os ombros mais largos, com esses cabelos brancos... sim eu reparei, tens uns quantos ai atrás... a confusão que fazes quando falas em italiano... espera, isso não é confusão, é luxuria e pecado...

- Eu só te comentei o cabelo...

- Vamos para o carro? dá-me o braço ou achas que é fácil andar de saltos na calçada depois de chover?

Aninho-a no braço, apertando-a de tempos a tempos para confirmar que era real e não fruto de um devaneio meu.

- ah, tu... isto foi quando? tens memória de quando parti o salto da bota e me levaste ao colo para casa?

- Levei?

- Sim!! aos poucos, pegaste-me ao colo na porta da minha escola por piada quando me foste buscar e viste que não podia andar, descemos a Avenida de Roma até à praça de Alvalade e sentamos-nos nas arcadas o tempo que tu teimoso dizias que já era o suficiente para descansares...

- E depois subi a Avenida da Igreja sem parar até ao Mercado de Alvalade e dai até tua casa sem paragens não por causa do salto que estava partido mas porque tinhas torcido o pé quando o partiste e não conseguias andar? não, não me lembro, foi comigo?

- És tão estúpido... até me lembro que fizeste o caminho todo sem uma única piada sobre o meu peso!! eu estava parva contigo...

- Apesar do teu 1,72m de altura nunca foste pesada mulher, sempre graciosa e formosa...

- Não, agora estou mais gorda! pelo menos 2kg...

- Tens noção que torceste o pé 11 anos atrás?

- Ha-ha!!!! afinal tu lembras-te!!!

- E tu não engordaste 2kg, só se for... o peso da tinta do cabelo... deixa-me ver...

Com cuidado mas veloz, encaixo-a nos braços e elevo-a no ar.

Ela rodeia-me os ombros, ajeitando-se elegante e confortável.

- Se isto não fizer parte do teu plano... desculpa...

- Oh André... eu tenho-te onde quero!!

Avanço ligeiro e preparado para uma Avenida da Liberdade sempre a subir até ao parque onde deixei o carro mas ela, generosa e mais tarde, segundo o seu plano...ela ia precisar de mim com os braços em condições... ela diz-me para a deixar ir para o chão, que quer calcar Lisboa que tem saudades de um pé e depois o outro e o outro e o outro e eu ali... caminhando ao seu lado... como antes.

- Isto do meu cabelo André... - diz-me rompendo o silêncio, parando diante de mim.

- Vais-me explicar agora?

- É temporário, apeteceu-me ser hoje, contigo aqui e agora uma mulher diferente...

- Mas o tempo que passou... seria sempre diferente.

- Eu queria ser mais do que a imagem que pintaste, com que me eternizaste no quadro... sendo eu... é algo tão mais perfeito e eu precisava de ser humana aqui ao pé de ti primeiro, encontrar-te diante de mim não como se eu fosse a Bella Charis do quadro, mas sim a mulher que te inspirou, que te apaixonou e só quer... só que que a fites nos olhos... e seja a mim, que seja eu e não algo a preto e branco, quero ser EU aos teus olhos André...

- Mas...

- Mas... depois, óbvio que me podes pintar as vezes que quiseres, agora... primeiro... eu, depois a Musa deusa mulher que te inspira


(Fragmento do quadro Bella Charis)


Puxa-me pela mão atrás de si, veloz mas sem correr.

Entramos no carro e pergunto-lhe o destino.

Oiço a resposta e pergunto novamente obtendo o mesmo resultado.

- Temos o depósito quase cheio e ainda são 23h... próxima paragem... Lagoa de Santo André!!!

Argumento que está com o fuso horário trocado, que a noção das distâncias na América do Sul de onde veio são proporcionais à que existe entre os sítios e que... e que qualquer coisa que não a demoveu.


 (Lagoa de Santo André)


Arranco com o carro, noite fora.

Primeiro o Aqueduto depois a ponte...

- Estou há quatro anos sem passar aqui... mas cheira-me que vou chorar que nem uma Madalena é na volta quando tiver aquele impacto de chegada a Lisboa...

Oiço-a falar de Buenos Aires, da livraria que lhe falei, do Mate em Puerto Madero ao final da tarde que lhe recomendei ou do quão bom que era quando se sentava ao fim de semana na relva do jardim que lhe mostrara da minha viagem a ler...


(Jardim em Buenos Aires)

- E depois as gajas lá... são todas tão agressivas com os gajos! ah! e os gajos, sim, tinhas razão, é cada um com pinta de vocalista de banda punk-rock... e depois irrita que elas são tão mais giras do que eles...

- Olha que chatice...

- Olha André, tu vieste de lá todo apanhadinho pelas Argentinas mas isso é porque não as viste a refilar com os namorados como eu vi, e se namorasses com uma delas.. ah juro-te, quando ela começasse a disparar para ti alterada deixavas logo de lhe achar os castelhano adocicado...

- Não me estragues a fantasia...

Saímos da auto-estrada, pergunto-lhe qual é o plano dela na Lagoa já que sem aviso prévio... não trouxe naturalmente a chave da casa...

- Continuas, segues em frente sem virar para tua casa e só paras quando chegarmos ao mar

Estaciono e ela indica-me que feche o casaco mas deixe as luzes ligadas.
Manda-me abrir as janelas e deixar as portas abertas e sair do carro.

Vejo-a saltar para o banco do condutor, ajeita a posição do carro iluminando o estacionamento vazio onde nos encontramos.

Sobre nós um céu estrelado e limpo.
O mar como sempre presente e intenso mas não muito ruidoso o que lhe era estranho.

A lua e o seu reflexo na candura tranquila da Lagoa ao fundo.

- Estás pronto André?

Ela aproxima-se, abraça-me rodeando-me o pescoço.
Oiço o tilintar do piano nítido e o arranque dos violinos.
Ela desliza a mão esquerda pelas minhas costas parando um pouco abaixo do meu ombro.
Sinto a sua mão direita deslizar e ficar estendida ao longo do seu corpo.

- Dá-me a tua mão esquerda...

Eu dou-lhe a mão.

A música arranca...

- Vá, lidera, é suposto seres tu a liderar no tango...

- Mas tu... tu não sabes dançar...

Ela beija-me o rosto e retoma a posição, aguardando que me mova.

Avanço um dois passos, apanho o ritmo tão familiar da Desde el alma...

- Vá lá!!! dança comigo homem!

Fico sentido, fico picado e entro em sistema cruzado, arranco-lhe um giro e...

ela flutua em meu redor.

Aperto de novo o abraço, vou e volto para lhe sentir o corpo junto, colado ao meu.

Deslizo o meu braço das suas costas para pouco acima da cintura, abro o abraço e avanço com a perna do lado onde ela se encontra, reencontro-me com o seu corpo para a fazer de novo girar à minha volta, aproveito o embalo e o final da frase que conheço tão bem e faço-lhe subir a perna do ar em giro, enroscando-a na minha

E solto-a de mim e perco a conta dos passos que lhe marquei ou de quantas músicas foram até não haver música a tocar e ela muito tempo depois ainda gira, ria e sorria em meu redor.
Umas vezes num abraço bem fechado, n'outras num abraço mais aberto.

E o mar frio que nos salpicava o rosto...

E nos indicava um lento compasso quando já não havia música para dançar...

- Vamos, vamos embora que o meu plano ainda não acabou...

- E vamos para?

- Lisboa! para onde achas que íamos agora? à Isla Mágica em Espanha?

Sentia o coração veloz e intenso no peito, ainda a pedir-lhe o abraço e o peito colado ao meu já tínhamos uma hora da viagem de regresso atrás de nós.

- Tu tens noção que eu fui aprender a dançar só para isto André? só para vir contigo à Lagoa quando voltasse a Portugal e ... fazer-te a surpresa...

Subimos em direcção à ponte, ela abre os vidros quando arranco da portagem.

- Estou tão feliz André...

Sinto a sua mão poisar sobre a minha, viro-me para lhe sorrir quando lhe vejo deslizar pelo rosto uma lágrima...

- Foda-se, isto de abrir os vidros não foi nada inteligente, tá um frio do caraças...

E não há como não me rir...

- Está ficar nevoeiro!! olha ali!!! já está nevoeiro!!!! tu... tu tinhas razão André... já não basta esta entrada quando se regressa a casa, com nevoeiro oh meu deus, isto é tão... é ... mágico!

Pergunto-lhe depois de passarmos pelo aqueduto qual é a próxima parte do plano.

- É contigo agora...

- Comigo? o plano é teu... o que é suposto fazer agora?

- Encontra-me um chorão...

Não chega a ser um desafio, afinal... ela sabe bem que é a minha árvore favorita... a nossa alias, algo que temos em comum.

Ela confia em mim, mesmo quando me vê a virar para a minha rua, estacionando à porta de casa, ela sabe que o próximo passo é um chorão.

Entrelaço os seus dedos nos meus, faço-a vir atrás de mim rua fora.

Sinto um aperto no peito quando me lembro de percorrer o mesmo passeio noite após noite até casa da minha avó.

Contornamos o último prédio e estamos perto...

Sinto o ímpeto de correr mas resisto, ela não.

Retomo a dianteira por momentos até a fazer parar.

- Fecha os olhos, confia em mim... - peço-lhe

E ela confia.

Guio-a pela mão, devagar e ela sente que o piso debaixo dos seus pés deixou de ser calçada.

Ela estranha a água que corre ao fundo, o vento que lhe esvoaça o cabelo...

- Quero abrir os olhos! onde é que estamos???

- Ainda não... Roentgen diz-te alguma coisa?

- Foi o cromo que descobriu os raios X? ah porquê que paraste? já posso abrir os olhos??

- Como é que tu sabes isso? ainda não... a sério, como é que tu sabes isso? eu só sei porque está na placa... é que nem sequer é na tua área!!

Levo-a mais uns metros, até ao centro da alameda.

- Agora, já podes abrir os olhos...

- Ok, onde é que está o meu chorã... André... dois... quarto oh meu deus... seis!! oito!!!aaaaaaaaaah isto é só Chorões!!!



(Alameda Roentgen em Lisboa)


E foge-me da mão.
Vejo-a correr quase até à outra ponta da alameda, vejo-a a demasiados metros para ser normal ver-lhe o branco dos dentes àquela hora da noite... o que me leva a questionar o tamanho do seu sorriso...

Vejo-a de mãos na cabeça, vejo-a voltar para mim...

- E atrás... aqui atrás do monumento... tens um grandalhão que...

Não acabo a frase, sou arrastado pela sua mão que arrebatou a minha sem aviso.

Sigo-a pela relva, sigo-a pela folhagem do salgueiro chorão que nos rodeia como se não houvesse mundo para além de nós ali debaixo, como no primeiro beijo que me dera, no longínquo ano de 1999... Ela sentada sobre mim e o seu cabelo solto caído à minha volta, sobre o meu rosto...




Lembro-me que me segurou no rosto com as mãos, me puxou suave mas segura para si e...

E os anos que desde então passaram por nós.

Ela pára, já bem perto do tronco da árvore.

Gira o corpo e encara-me depois de desviar a folhagem que nos separa, aproximando-se.
Ela sorri, no triunfo de quem chega ao fim de um plano, de quem anos depois finalmente encontrou o rumo e atracou ... no seu porto há muito ansiado.

Ela encontrou o seu porto azul.

- Pergunta-me André...

Diz-me e sinto na boca um beijo, e vejo-a novamente a sorrir diante de mim.

- Pergunta!!!

Devolvo-lhe o beijo- demorando um pouco mais de tempo já que lhe tomei o gosto...

- Porquê... porquê que demoraste tanto tempo?


-

E assim chega ao fim o blog A um porto azul...



...Com um beijo.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Um grande bem haja...

A um porto azul é uma criação do Génio retardado de André de Sousa Real
Como a criatura em questão não é um gajo ingrato, aproveito para deixar o seu sincero agradecimento a todos os que ao longos dos anos, comentando ou sendo parte activa no blog tornaram...isto ainda pior, deviam ter vergonha!.

Quero agradecer à Minha Avó

Quero agradecer à Maria João

Quero agradecer à Pestana, à Íris e à Buca.

Quero agradecer aos seguidores e a todos que comentaram.

Quero até agradecer à Crazy Ex. que inspirou a criação da personagem  "Marta" no blog.

Quero agradecer à Sra dona minha Mãe que me proporcionou a melhor frase que escrevi no blog

"A cadela perigosa? perigosa é a sua Mulher e você dorme com ela todas as noites!!"

 Agradeço ao Lisandro, ao John Legend e à Joss Stone.

Quero agradecer à Ana do blog Guess So, Guess Not

e também à Ni do blog Ângulos (in)constantes

e para terminar... 

Agradeço à RP, mulher que originou e inspirou o que mais gostei de escrever no blog.

E o resto meus amigos... é palha.

Amanha, o ultimo e grandioso texto de despedida.

(a sério, grandioso mesmo... aquilo é gigantesco!)

Mj

No primeiro de todos os outros dias.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Aquele Momento Mágico...

Entro numa óptica em Buenos Aires para arranjar um pano para limpar os óculos e deparo-me com a deslumbrante funcionária da loja de olhos fechados e sorriso no rosto no meio da loja a embalar-se ao som da música a cantar:

"Dicen que hay...
Dicen que hay...
Un mundo de tentaciones...
También hay caramelos...
Con forma de corazones"

E depois aquele momento mágico em que ela me prenda com o mais doce dos sorrisos e eu esqueço-me totalmente do motivo pelo qual tinha acabado de entrar e pergunto-lhe de quem era a música...





(ao menos improvisei...)

(e o pano dos óculos que me deu era cor de laranja)

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Livre.

Foi idiota, eu sei.
Arrastar-me durante anos preso a algo que não tinha nada onde se segurar.
Talvez eu seja demasiado fiel à frase - "por ser em vão é que foi belo" do Cyrano.

E é belo.
O ser em vão é fantástico, dá-lhe um travo a épico por mais patético que o gesto seja...

... e eu sou tão bom a fazer patético...

E assim fiquei, no limiar de quem receia dar o pequeno e final passo que liberta, que vence todos os medos e todas as amarras que mais ninguém senão nós mesmos enredamos à volta da mente, do corpo.
Deixei-me ficar à distância desse pequeno gesto, de um pequeno nada.
Deixei o tempo passar e chegou ao ponto que o pequeno gesto seria invariavelmente em vão.

E eu desisti de o fazer, segui em frente.

Mas não era, não conseguia ser livre.

Afastei-me, tentei correr para longe, ficar distante de algo que eu sempre tive a certeza que ia acontecer.

E finalmente, patético e triunfante...

Libertei-me.

E hoje sou livre, sou inteiro.

Hoje eu finalmente sou.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Buca, A vingança.

Eu gosto de dormir - diria até que sou muito bom nisso.
Como tal, seguindo o conceito mágico de André a dormir intenso numa cama...

Decidi-me a fechar a porta do quarto evitando que isto fosse o meu despertar forçado todo o santo dia.

Mas...

Mas coisa que um leitor assiduo do Blog A um porto azul sabe é que eu tenho uma sorte do caraças com tudo o que seja fêmea que faça parte do meu mundo, nunca posso ter um ou dois minutos de amor e ternura, de sossego e compreensão.

Ao passar a fechar a porta do quarto, pensei que iria dormir tranquilo até acordar preguiçoso por mim- deve ser bom, espero um dia conseguir tal feito.

Mas a Buca não aceitou a minha resolução, obviamente que tinha que desrespeitar a minha vontade...

Como não encontra a porta do quarto aberta..

Ela dá a volta pela varanda, cola o focinho no vidro e desliza num rasto de baba de cima para baixo.
Volta a bater com a focinheira até eu dar sinais de que acordei.
Quando acordo começa a saltar e a raspar com as patas até eu lhe abrir a porta da varanda.

O vidro fica para lá de nojento.

E eu...

E eu infeliz.


Não consegui captar o momento em que ela lambia o vidro, peço-vos o meu perdão, o máximo que consegui foi um vidro cheio de baba...

Nota - passei a abrir a porta do quarto, dá menos trabalho ir lavar a cara que o vidro todos os dias.

Eu desisto.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

"A puta da cerelac é minha eu como-a como eu quiser!!!"

Desiludi tudo e todos ao colocar o aparelho nos dentes e surgir perante amigos e familiares com perfeita (e surpreendente) dicção.
Disseram-me que assim não tinha graça, que queriam gozar comigo.

(óbvio que eu não partilhei que a cantar era simplesmente ridículo e me cuspia todo...)

Sendo o aparelho naturalmente desconfortável...
Sendo eu um gajo até que a dar para o inteligente ( o meu critério com mulheres não entra nesta equação ) preparei-me para o pior...

... e comprei uma caixa de Cerelac.

(quando os dentes doem intensamente não é propriamente uma boa ideia andar a mastigar bifes)

Acossado pela fome invado a cozinha.
Retiro a caixa da Cerelac da prateleira, do armário tiro a tigela, da gaveta uma colher.
Coloco tudo sobre a bancada da cozinha preparando-me para executar a "Operação Cerelac" quando a cadela dá sinal arrebitando as orelhas.
Segundos depois oiço a chave girar na porta de minha casa e por esta entra a Sra Dona minha Mãe e...

e a Miss Ex?????

- O que estás a fazer em casa????

- Eu... eu moro aqui...o quê que tu estás a fazer em minha casa??

- Preciso de uma opinião juridica... a tua Mãe ao contrário de ti é uma pessoa simpática...

- Ela é a MINHA Mãe!! é suposto perguntares-me primeir...

- Como tu fazes e fizes-te com o meu Pai mais a porcaria do Atlético??... olha, vais comer Cerelac??

- Era esse o meu plano...

Interrompe a minha Mãe - queres que te tire o leite do frigorifico?

- Não, tenho tudo.

- Mas... não vais comer isso com água!!!!

- Eu gosto só com água!! (eu até gosto de Cerelac em pó... mas adiante)

- Eu também, mas não devias ter água quente? - Diz a Miss Ex.

- Eu gosto disto frio...

- Ca nojo!!! não vais comer isso assim!!

A minha Mãe tira outra tigela do armário, a Miss Ex enche a MINHA tigela com água e coloca-a no micro ondas, aquece-me a água, a minha Mãe faz o mesmo com o leite, tiram-me a caixa de Cerelac das mãos, despejam cada uma à vez na sua tigela enquanto debatem os prós e contras de Cerelac com leite ou água quente.

E eu de braços cruzados a ver a cena.

- Vocês as duas têm a noção que se não comerem o que acabaram de fazer eu não como e vão estar a estragar Cerelac...

- Qual é o teu problema em comeres o que te fizemos? - diz a minha Mãe

- Tu André... se não tivesse aqui a tua Mãe chamava-te besta...

- Acabaste de me chamar!!! e eu não vou comer isso, não me podem obrigar a comer..

- Olhe Paula... o seu filho não quer comer a papa...

E explodem a rir como duas focas retardadas.

Obrigaram-me a agarrar na minha Cerelac feita com água fria e ir para o quarto para a comer sossegado.

Fecho a porta do quarto, sento-me amuado na cama e desabafo baixinho- A puta da cerelac é minha.. eu como-a como eu quiser!!

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

A tal.

Descubro por acidente que disse a uma amiga que não está satisfeita e da próxima vez que estiver comigo vai-me dar um belo par de patins...

Fico a pensar e a repensar a relação, em sofrimento e angustia até ao dia.

Mas como ela é A tal...












Ela leva a relação para um patamar de awesomeness inigualável.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Contente


A minha cadela Buca quando fica contente espirra.
Ela não se limita a espirrar panisga, é uma explosão de euforia em doses industriais de gosma que lhe saltam das narinas e boca.

A Buca acha fantástica a ideia de me acordar.

Coloca-se quieta e serena sentada diante da minha cara.

Aproxima-se do meu rosto até ficar à distância de uns fantásticos 2cm (e se calhar estou a exagerar)

Ao sentir a Buca a respirar tão perto... acordo...

... e ela fica contente.


sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Vou chegar atrasada

Subo as escadas do Metro para a Avenida de Roma uns minutos antes do combinado.
Tomei banho e vesti-me lavadinho.
Contemplo a silhueta, o meu esboço, a minha esfinge num reflexo filtrado da minha imagem fumegante.

(estava um sr a vender castanhas entre o bonitão de serviço e a montra da loja... dai o fumegante)

Confirmo a hora no relógio, vibra-me o telemóvel.

- Vou chegar atrasada tipo 15 minutos...

Tenho tempo, tenho o penteado certo... porra tenho a bainha da calça memo bem feita a assentar perfeita no téni.

Estou em forma, talvez a puxar para o galante...

E...

E atravesso a Avenida e vou ao Frutalmeidas papar uma sopa de hortaliças.

E se...

Ela - André, e se morresses agora... qual era a coisa mais importante que te tinha ficado por dizer ??

Eu - Ah... ao bff... que não era suficiente apagar o histórico do meu browser... era mesmo apagar o disco rígido do portátil com gasolina e um isqueiro...

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Aramis...

Estava-me a correr mal o dia até que Ela me ligou.

Ela sabia que eu estaria cheio de fome depois do dentista e desafiou-me para um Bitoque (Ela sabe tão bem o que me põe quente... cabra) ali para os lados de censurado pertinho de casa dela.

O Bitoque estava divinal...

Ela estava um vagalhão de mulher...
Uma combinação assustadora de charme, sensualidade e... larica.

A sério! ela despachou o bitoque dela em metade do tempo que demorei a comer o meu.

E ainda me gamou batatas...

E pediu uma mousse.

( e não meteu daquelas paneleirices de adoçante no café...)

Adiante...

Saídos do restaurante, tivemos a sorte de não chover - porque aqui o Vosso mais que tudo acha que apanhar uma molha é de macho e ela achou a distância tão curta do Restaurante até sua casa que um casaco quente servia.

Sou uma besta, mas também um cavalheiro.
Acompanhei-a à porta e quando Ela me explicava a importância de qualquer coisa que eu não estava a dar atenção porque o casaco quente tinha-se aberto e eu senti-me obrigado- diria até que fui coagido - a contemplar o recheio do casaco...

(Que via-se que era de bom material, quente... o casaco!!!)

(É importante um casaco quente para evitar constipações e eu não queria obviamente que ela se constipasse, como sou bom amigo fiquei naturalmente satisfeito por Ela ter o casaco abert... o casaco vestido e...)

Adiante André...

... E quando ela me explicava o decot.. qualquer coisa, sai do prédio dela um vizinho com o Cão.

- Olha o Aramis! - diz ela ao reconhecer o rafeiro

O rafeiro reconheceu a vizinha, aproxegou-se sem trela - enquanto o dono dava atenção ao telemóvel - contente e pimpão a pedir festas.

Ela afagou-lhe o lombo, o Aramis gostou - eu não me queixei já que quando se agachou para cumprimentar o Cão eu fui prendado com um ângulo superior do "forro do casaco".

Feitas umas quantas festas na criatura, Ela levantou-se e voltou a fitar-me ao nível dos olhos...

O Aramis continuava a pedir-lhe afecto...

Primeiro roçou o lombo entre as pernas dela, depois o focinho... e depois...

Depois ergeu-se levantando as patas da frente...

Encaixando-as na perna dela...

Empolgando-se...

Demonstrando-lhe que o seu amor ultrapassava barreiras com a hora lugar ou espécie animal...

- Aramis... ARAMIS!!! ARAMIS TÁ QUIETO!!! ANDRÉ AJUDA-ME!!!

E eu...

Eu ri-me...

Eu ri-me tanto que me engasguei.. mas estava triste porque sabia que o Amor deles não podia ser, não seria aceite nunca pela sociedad...

- TIRA-ME O ARAMIS DA PERNA FODA-SE!!!

E pronto.

Deixei passar uns segundos e tirei-lhe o Aramis da perna pela nuca.

Agora que penso nisso...

Hoje foi um grande dia.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Isto fora de contexto...

Eu - Olha boneca., eu sei que estamos na tua casa e o quarto é teu... mas eu vou por o Cd do John Legend na aparelhagem e vai acontecer, tu sabes que vai acontecer... é escusado resistires, portanto, não precisas de oferecer resistência... mas por outro lado... até quero que resistas um pouco...

Ela - Olha André, lembra-te que a tua palavra de segurança é "Abóbora", lembra-te que vais precisar dela...

...

Eu - Abóbora! abóbora porra, qual foi a parte do Abóbora que não percebeste!!!?!?!?!?!


Contexto:




Nota - Nunca, mas nunca jogar o jogo do polegar - em que se tenta prender o polegar do opositor com o nosso - com uma mulher com unha e ressentimento...

E depois de perder 8 vezes continuar a mandar bocas não me parece algo... a dar para o inteligente...

Mas também o meu passado não é currículo... é cadastro no que toca a abrir a boca e dizer algo "inteligente" diante de uma mulher com decote

Eu não estou a dizer que só perdi pelo decote...

Mas houve factores externos, só pode ser essa a justificação de no final ter perdido 15 vezes.

Ou quando ia nas 10 derrotas consecutivas continuar a jogar mesmo depois dela me quilhar a mão com a unha só porque lhe disse  "já te basta seres mulher... tadinha"

Eu... eu vou-me calar agora ok?

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Vocês fazem um par tão giro...

Estou sentado em silêncio desfrutando da discussão entre a Ex e a amiga dela sobre uma terceira mulher à qual ambas questionam o discernimento e teimosia em manter-se com a besta do namorado que...
Que sinceramente... não sei bem o que lhe faz porque não estava com atenção, a ex estava de decote e o inverno está ai.
Há que aproveitar uma visão que de certo irá rarear nos tempos negros e sombrios que se avizinham.

De todas as amigas de ex namoradas ela ( a que estava comigo e com a Ex no café ) é sem dúvida a minha favorita desde que me conquistou numa noite de santos populares...

Em que se alcoolizou...

E ao ver-me chegar com a Miss-Ex e os pais dela...

Se abraçou a mim e à na altura Miss de Sousa Real e disse: foda-se, eu adoro-vos foda-se... vocês devem ser fantásticos na cama...

Continuando...

Elas lá se organizaram nas ideias sobre a relação da outra.
A amiga da Ex que não me via desde uma fantástica noite de karaoke olhou para mim, olhou para a Ex e como estava sóbria ficou-se por : oh... vocês os dois... vocês os dois fazem um par tão giro!

Ao qual eu respondi: Eu faço o giro... Ela puxa-nos para baixo...

A Miss-Ex contestou, ameaçou-me de porrada e obrigou-me a retratar-me.

A amiga lembrou-se de perguntar: Mas afinal... porquê que vocês os dois acabaram???

A Miss-Ex engasgou-se, eu assumi a resposta e o controle da situação...

Esbocei um sorriso ternurento, cocei o cabelo e abrir as mãos de palma para cima...
Carreguei o olhar procurando sublinhar a tristeza e o peso da importância do que ia dizer de seguida...

- Sabes... isto, bem... eu era apenas um rapaz ela uma rapariga, éramos mais novos, jovens... acho que não podia ser mais óbvio... eu estava numa fase mais punk, na altura ela fazia ballet...

A Miss-Ex franze o sobrolho confusa mas eu continuo

- Eu gostava dela, ela nunca me disse nada mas eu no fundo sabia que ela gostava de mim... só que na altura os amigos dela...

- André!! - interrompe a Miss-Ex mas eu continuo

- Isto foi na altura em que eu fazia Skate e ela mandou-me passear, como se eu não fosse bom o suficiente para Ela...

Diz a amiga para estupefacção da  Miss-Ex - Realmente... ela sempre foi um bocado peneirenta...

- Não tens ideia mesmo- eu continuo determinado apesar de sentir um violento cravar de unhas através da ganga dos meus jeans- Ela era tão bonita...mas estava sempre com a cabeça na lua, precisava mesmo de alguém que lhe metesse os pés no chão...

- Eu juro que vos mato aos dois... - Diz a Miss-Ex em puro choque e revolta

Ela leva as mãos ao cabelo exasperando-se com a amiga.
Vejo-a contrair os dedos na minha direcção como se me pretendesse estrangular.

- Porquê que és assim? estava a contar e a responder ao que ela perguntou...

- Realmente, sou tua amiga mas gostava de ouvir o lado dele da história... vocês dão-se tão bem que nunca percebi... e o que ele está a dizer faz algum sentido com o que me lembro...

A Miss-Ex fitou a amiga num misto de chocada com um forte impulso homicida

- Posso continuar? ia-lhe contar agora a parte em que apareci na MTV...

E responde a amiga:

- Tu apareceste na MTV????



Nota - Assim de repente, adivinhem quem é que acabou o dia a apanhar porrada...

Finalmente!

Finalmente descobri o nome do meu problema:




...Só espero é que não haja tratamento...

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

E mesmo assim, não é tão mau como o que estava escrito...

Hoje pelas 12h30 dei por mim num dilema.

Tinha dois textos para publicar... sendo ambos como é mote aqui no blog totalmente reprováveis em conteudo, intenção ou totalmente não apresentáveis aos pais da filha de boas famílias, moça tão prendada... dizem que é boa na costura e cozinha francesa, estudiosa e tão educada... tão formosa e tão velida, loada e...
e...

E eu achei tão deplorável o primeiro texto que escrevo um segundo.
Releio o segundo e fico na dúvida se não será pior que o primeiro...

-

Eu - Save me!!!

Ela - Outra vez essa música?

Eu - Não.. e se fosse? olha, preciso de uma opinião...

Ela - Já fizemos isto antes André...tu acabas sempre magoado e sentido...

Eu- Poupa-me, respeita-me... não te rias! diz-me... diz-me qual destes dois está mais publicável...

...

Eu  - Pára de rir...responde-me...

Ela - Nenhum está publicável!!! a tua mãe disse mesmo isto no velório???? eh pá...publica os dois!!!!

Eu - Não... acho que vou mazé por a piada do orgulho no blog que consegue ser menos mau...


-Piada do Orgulho-

 Hey! sabes o que o meu pénis e o Atlético têm em comum? a alcunha... ambos são o Orgulho da Tapadinha!


Nota- Ambos os textos apesar de serem baseados em factos reais e verídicos, mesmo não sendo eu o autor  - o que foi uma estreia - dos actos atrozes e simplesmente impublicáveis terminavam num longo e necessário pedido de desculpas a todos os visados.

No meio disso tudo a piada - nada aconselhável num velório - acima escrita consegue ser...
pera...

Eu contei esta piada num velório...

Vocês já estão com saudades de quando eu escrevia isto não estão?

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Injusto

Acho extremamente injusto que eu esteja há duas horas mal disposto com uma azia descomunal depois de ter gamado o almoço ao meu Irmão...

Depois de passar anos a fazer o mesmo com o almoço da minha Irmã e nunca ter ficado mal disposto...