terça-feira, 22 de novembro de 2011

Livre.

Foi idiota, eu sei.
Arrastar-me durante anos preso a algo que não tinha nada onde se segurar.
Talvez eu seja demasiado fiel à frase - "por ser em vão é que foi belo" do Cyrano.

E é belo.
O ser em vão é fantástico, dá-lhe um travo a épico por mais patético que o gesto seja...

... e eu sou tão bom a fazer patético...

E assim fiquei, no limiar de quem receia dar o pequeno e final passo que liberta, que vence todos os medos e todas as amarras que mais ninguém senão nós mesmos enredamos à volta da mente, do corpo.
Deixei-me ficar à distância desse pequeno gesto, de um pequeno nada.
Deixei o tempo passar e chegou ao ponto que o pequeno gesto seria invariavelmente em vão.

E eu desisti de o fazer, segui em frente.

Mas não era, não conseguia ser livre.

Afastei-me, tentei correr para longe, ficar distante de algo que eu sempre tive a certeza que ia acontecer.

E finalmente, patético e triunfante...

Libertei-me.

E hoje sou livre, sou inteiro.

Hoje eu finalmente sou.

5 comentários:

Morce disse...

graças a deus!

Ana disse...

Gosto mesmo mesmo deste texto!

Ser livre é isso mesmo, é quando quebramos com tudo o que nos impede de fazer o que realmente queremos. E somos realmente livres tão poucas vezes...

Gasper disse...

Aii a dificuldade que é nos libertarmos..

Bibinha disse...

De certeza que já estás livre ? !
Ou só estás a tentar ser livre ?!

André disse...

Estou, sem dúvida, mesmo que me sinta por momentos como se estivesse a tentar correr e me prendessem pela cintura e depois me soltassem de repente - o que te leva a saíres disparado a correr um bocado para o desengonçado.