sábado, 17 de março de 2012

Um anjo

Acordou com os pés destapados. Acordou e levou a mão ao rosto, tapando-o.
Respirou contra as palmas das mãos prolongando em vão um sono que lhe fugia rápido do corpo.

- Meu amor.. minha besta, despacha-te a vestir.

Ouviu chamar por si, ternurenta... fosse ela o anjo quando se deita que não é ao acordar...

E provavelmente nunca sairia da cama.

Respondeu-lhe que os lençóis ainda tinham o seu cheiro, afirmou convicto que ia ficar por ali todo o dia imerso e mergulhado na sua essência...

Mergulhado na sua cama, na sua ausência.

Deixar o tempo passar até o sol ter feito mais de metade do ser percurso e depois talvez procurar qualquer coisa que comer...

Deixou de lhe dar resposta mas ele continuou.
Falou-lhe de gelados que poderiam comer ao final do dia como se fosse o pequeno almoço.
Falou-lhe de todo o sexo badalhoco que podiam fazer para não perder o cheiro na cama, numa casa vazia só para os dois...

Rebolou para um lado primeiro quando se calou, depois para o outro.

Deixou-se mergulhar outra vez no calor... no cheiro do corpo dela... e sentiu-se novamente a adormecer...

Gritou, meio pelo frio de subitamente se encontrar destapado, meio pela água que lhe caiu sem aviso no rosto.

- Tens 5 minutos para te vestir, mais um segundo e apanhas...

4 minutos depois fechou a porta de casa e sussurrou enquanto suspirava o pensamento que lhe ocorria ao descer o primeiro degrau - fosse ela o anjo quando se deita que não é ao acordar...

- O quê que tu disseste?

- Nada, nada... queres ir tomar o pequeno almoço aonde?

Um comentário:

Bibinha disse...

she is the one
Quanto mais leio mais acredito.
Pois comigo só o The one, é que poderia acordar-me dessa maneira sem apanhar um estalo no meio da t*****, cara.